A partir do esvoaçante reverberar do som característico dos chimes, a canção, já em meio ao seu primeiro e imediato instante introdutório, adquire uma postura não apenas brisante, mas marcada essencialmente pela introspecção e por nuances sensoriais oníricas entorpecentes. Capaz de transpirar até mesmo aromas esotéricos através dessas texturas, a faixa mescla essa identidade com a concisão e a consciência sugerida pelos batuques opacos dos tambores e pelo groove encorpado do baixo.
Delicada, mas marcada pela forma como ela consegue transpirar uma essência latina envolvente e de prematuros estímulos dançantes diante de suas silhuetas curiosamente sensuais, a canção ganha a presença de uma guitarra de riff limpo e agudo que auxilia na obtensão de uma sensorialidade inebriantemente aconchegante. Oferecendo nuances de salsa e merengue infusionadas na sua base rítmica, a faixa chama a atenção, também, pela presença de instrumentos de sopro lhe entregando brisas de vivacidade.
Sem perder o rebolado da sua simplicidade e de sua postura encantadoramente intimista, a faixa surpreende o ouvinte ao permitir a entrada de uma voz feminina aguda, valsante e ululante preenchendo os primeiros sinais do escopo lírico. Com doçura e sutileza, essa voz auxilia no processo de, junto ao curioso veludo do trompete, fazer de OKay, Tomorrow em uma faixa dançante capaz de encapsular a energia morna e aconchegante do verão.
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