OLI, artista londrina, acaba de anunciar When It All Goes Quiet, seu álbum de estreia

A combinação entre violão e piano oferece certo grau de calmaria. Ainda assim, nas entrelinhas de tal colaboração, é possível de se encontrar boas e pegajosas doses de melancolia que evidenciam uma paisagem de céu monocromaticamente cinza. Em Intro, é como se as lágrimas fossem a resposta de um último suspiro de dor e sofrimento antes do torpor. Antes da aquisição da negação acerca do caos. Da vulnerabilidade. Da carência.

Diferente daquilo que foi sonoramente sugerido anteriormente, a presente canção mergulha o espectador em uma espécie de anunciação. De redenção. Em um súbito, aquela melodia aguda e de gradativa energia passa a dar lugar a uma voz feminina firme e aguda em meio à sua base grave. OLI se apresenta, aqui, diante de uma paisagem sônica que traz consigo bastante influência de Lana Del Rey. Diante de uma espécie de sensualidade melancólica e amorfinante, I’ve Been Waiting mistura noções etéreas com um swing amaciadamente provocante de sensorialidades curiosamente alucinantes.

Cry já explora outra postura da vocalista. Sugerindo uma atmosfera mais animada e, portanto, mais enérgica, ela chega a dar, ao ouvinte, a esperança pela chegada de um pop mais comercial. No entanto, o que acontece é a gradativa imersão em um ecossistema introspectivo e, acima de tudo, adornado por uma espécie de nostalgia terna. Dramática, a faixa é uma obra de sensorialidade suplicante e sofrida, tal como a ideia de separação da pessoa que se ama.

O gutural se anuncia com bastante facilidade diante de uma sonoridade cavernosa e ecoante. A partir daí, é como se o ouvinte se sentisse nas sombras e rodeado por paredes de pedra úmidas e pegajosas. Eis então que o violoncelo rasga essa sensorialidade com uma espécie de dramaturgia cirúrgica tendo em vista a intensidade de sua melodia. Surpreendentemente, com a ajuda do piano e, inclusive, da interpretação vocal assumida por OLI, a faixa-título acaba explorando paisagens que sugerem o delicado. Dramaturgicamente teatral, a presente composição combina introspecção, torpor e brisas de súplica.

Diante da interação direta entre a sonoridade sintética e um groove encorpado introduzido pelo baixo, a faixa permite a entrada de uma bateria que preenche o ecossistema com uma levada rítmica que, surpreendentemente, explora a sensualidade no sentido mais léxico da palavra. Promovendo, portanto, a criação de uma energia provocante, o escopo percussivo enaltece a sedução, ardências embrionárias e um prematuro senso libidinoso agraciando cada textura sonora. É assim que Only You apresenta, de forma graciosa, o lado romântico da vocalista.

Como um material de estreia, é possível dizer que When It All Goes Quiet é suficiente. Por mais que traga uma ideia pejorativa, o suficiente, aqui, quer dizer muita coisa. Afinal, diante de uma conjuntura de 12 faixas, OLI apresentou ao ouvinte todos os seus lados, todas as suas influências e, com sucesso, sintetizou cada processo de seu nascimento artístico em uma sonoridade autêntica e atraente.

Trazendo o drama como seu principal alicerce, a artista também caminha com bastante versatilidade pela sensualidade, pelo romantismo, pela libido e pela melancolia. A partir daí, se percebe, inclusive, que seu álbum de estreia é o resultado de uma cenografia teatral de vários atos que traz o barroco em evidência, algo que pode ser explorado de maneira mais cristalina a partir das cinco primeiras faixas da track list.

Melodioso, melancólico, dramático, sexy e introspectivo, When It All Goes apresenta uma artista com grande potencial para se somar ao time das cantoras que exploram o lado nebuloso do pop e, consequentemente, se independem da ideia padronizada que ele traz. Não é alegre e não é solar. É pegajoso, é noturno. É original.

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