É interessante perceber que, mesmo em meio a uma delicadeza introspectiva e petrificante, existem certas nuances de tensão que beiram um suspense provocante e sorrateiro. Felizmente, essa impressão sensorial se esvai com tanta facilidade que o ouvinte se permite se afeiçoar ao timbre de voz metálico expresso pelo vocalista em meio ao seu canto pautado no idioma sânscrito. Tal detalhe, inclusive, é o responsável por fazer com que a ideia do místico não apenas surja, mas comande toda a vivência sensorial do espectador a partir de então.
Enquanto o ouvinte se deixa levar por esse clima introspectivo e profundamente amorfinante, a sonoridade da canção se desenvolve de forma suave, mas sem esconder a sua própria complexidade. Afinal, diante de sons levemente metálicos e azedos que sugerem uma breve instrumentação cordofônica, existem, também, menções de um dulçor ácido permeando, de leve, a superfície harmônica ao mesmo tempo em que toques batucantes e opacos conduzem a uma percepção rítmica frágil.
Dentro de seus mais de 10 minutos de execução, a faixa, invariavelmente, acaba construindo um enredo não apenas de característica hipnótica, mas, acima de tudo, embriagante graças ao fato de manter, rígida, a sua esfera harmônica. Com versos líricos repetitivos, Om Namo Bhagavate Rudraya consegue promover a introspecção no seu grau máximo enquanto se inspira em mantras sânscritos tradicionais dedicados ao Deus Shiva.
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