On The Rocks | Hovercraft lança álbum que caminha por ambientes experimentais e sombrios

A maneira com que a composição de abertura puxa a sua sonoridade introdutória, curiosamente, combina o assombro com o frescor e inclinações de delicadeza. Agraciada por vislumbres de veludo vindos da guitarra, a faixa ganha um compasso sincopado em meio à interação direta entre bateria e teclado que, inclusive, torna o ambiente bastante sensual. Com o auxílio da voz aguda e doce, mas também firme, da vocalista, a composição enaltece seu viés de atratividade e irresistibilidade. Anytime explora o dançante com uma mistura singela de disco music com um indie pop completamente contagiante.

O intimismo que se forma nos primeiros vislumbres sonoros da composição já levam o ouvinte a experienciar o conforto e o aconchego a níveis quase entorpecentes. Delicada e cuidadosamente sensual a partir do desenho melódico minimalista ofertado apenas pelo violão, a faixa se mostra uma perfeita, mas, acima de tudo, frágil fusão entre o R&B e o soul. De levada rítmica macia e gentil, Love, como o próprio nome sugere, embebe o ecossistema em aromas românticos inebriantes que tiram o espectador de sua própria lucidez.

Trazendo o baixo com o devido protagonismo durante os momentos iniciais de sua narrativa melódica, a presente canção, sem o menor esforço, indica a presença de um groove marcante e levemente encorpado. Conforme se desenvolve, porém, a faixa passa a andar com passadas levemente aceleradas no que tange o seu compasso rítmico, mas que, ainda assim, não diminui ou prejudica a sua delicadeza estrutural. Ligeiramente sincopada, Superman, interessantemente, explora uma energia aventureira que chama o ouvinte para a ação.

De alicerce rítmico-melódico inquestionavelmente sincopado, a canção não demora um instante sequer para ilustrar a sua natureza blues rock. Fresca e sensual em sua máxima essência, a faixa consegue levar o ouvinte para as ruas de Louisiana com uma notável facilidade e versatilidade. Envolvente, mansa, mas adoravelmente sedutora, Bring My Baby Back é embebida em uma estrutura rítmico-melódico-harmônica linear, mas que em nada prejudica a conexão com o espectador.

Ela pode até ter uma energia introspectiva, mas, em verdade, a maneira com que seu instrumental constrói a sonoridade acaba incutindo na paisagem um caráter de tensão bastante irreverente. Com direito a uma presença maciça de uma guitarra de riff delicadamente distorcido, a faixa, de maneira surpreendente, cresce de forma a destacar uma natureza energética quase espirituosa, mas, inquestionavelmente, motivacional. Estimulante, My Own Little World se destaca por ser possuinte de notas ácidas e ríspidas entregues pelo baixo.

Com o presente material, o Hovercraft leva o ouvinte a vivenciar experiências sônicas diversas. On The Rocks se consagra como um disco cheio de texturas delicadas que se deslocam por entre ritmos distintos, o que faz com que ele não seja um material categorizado de maneira unilateral.

Com direito a incursões sensoriais inerentes ao veludo, ao azedume e ao ácido, o álbum ainda permite que o ouvinte seja abraçado por generosos sensos de conforto e aconchego enquanto se perdem por entre romantismos aromáticos e esferas de caráter energeticamente motivacional. 

Trazendo inclusive vislumbres nostálgicos por entre suas paisagens sônicas, o disco acaba tendo seus cinco primeiros títulos como grandes destaques de sua sequência de faixas. Mesmo assim, On The Rocks alcança um patamar de arqueologia sonora que encontra, diretamente, o apelo internacional.

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