É até bonito de se perceber a existência da sensibilidade de um músico capturada logo nos primeiros instantes sonoros de uma composição. A partir de uma valsa de violino que escancara a influência da música árabe, em especial o raï, a faixa explora sutileza, delicadeza e um charme cheio de excentricidade. Não necessariamente que a sua tomada sensorial introspectiva leva o ouvinte a vivenciar sensos como melancolia ou sofrimento, mas ele sugere um momento de pausa. De reflexão.
Surpreendendo a toda e qualquer expectativa, a obra, assim que acessa seu primeiro verso, é tomada por uma completamente nova roupagem. Guiada por um timbre feminino agudo e equilibrado entre o veludo e o dulçor, ela se vê na iminência da presença de pulsos mansos de um teclado que induzem o espectador à aquisição da ideia da imersão no campo da música eletrônica.
Ampliando, a partir daí, a introspecção e a noção de sutileza, a canção, conforme se permite evoluir em sua arquitetura harmônico-lírico-melódica, dá ao ouvinte a chance de se perder por entre os lampejos dramáticos ofertados pelas pronúncias mais vívidas ora feitas pela cantora. Tendo, curiosamente, nos pulsos do teclado, agora unido ao sintetizador, como indicador da cadência rítmica, One Road se mostra uma faixa em cujo movimento sonoro-narrativo leva o ouvinte da sombra à luz. Da insegurança e vulnerabilidade à ideia do total controle da própria vida. Da fraqueza à autoestima e à autoconfiança.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/7mwgu2FnmzVPFTuGzsQtLR

