A guitarra elétrica é o elemento que puxa a introdução enquanto produz uma sonoridade no limiar entre a estridência e a sujeira. Contudo, o que antes poderia ser recebido com certo incômodo rapidamente se transforma em algo contagiante, amaciado e, principalmente, melodioso. Isso acontece em razão da sobreposição entre as guitarras existentes na obra. Afinal, enquanto uma mantém a linearidade sonora, a outra parece uivar de forma atraente na base melódica.
Respaldadas por uma levada rítmica amaciada diante de sua cadência em 4×4, as guitarras surpreendem pela sua sintonia. Afinal, muito além de completarem uma à outra entre maciez e acidez, há, em sua união, a criação de uma sensorialidade agradavelmente nostálgica cujo aroma perambula livremente pelo ar. Curiosamente, é também nesse instante em que a canção apresenta um rápido parentesco harmônico em relação ao escopo alcançado em Pretend We’re Dead, single do L7.
O que cria a similaridade entre as duas canções é também o fato de que ambas brincam com a transição de sonoridades mais sujas e ríspidas para outras mais limpas e melodiosas. Ainda assim, Only Fans, guiada pela voz levemente nasal de Kalligary, é embebida em um torpor contagiante que auxilia na exploração da ironia inerente às atitudes infantis dentro de um relacionamento.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/6Vs72WkjRm1ylfesGC7fsI
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