Otto Orany lança disco instrumental inovador

 

Como é legal pegar um álbum, saber que o som se trata de algo sofisticado, mas que dentro dessa proposta tem uma abordagem que torna o trabalho um pouco mais popular, mesmo fugindo de tendências e não soando comum como imaginamos. Isso denota inovação, e tudo que inova é bom. Ponto!

É isso que traz em seu novo álbum o multi-instrumentista Otto Orany, que é um compositor e tecladista checo que passou a maior parte da última década trabalhando na interseção da música clássica contemporânea, do jazz e da música eletrônica.

Ele anuncia “10 Blue-Penciled Stories”, disco que traz dez composições para um conjunto híbrido de sopros, cravo, teclados, baixo e bateria. A formação reúne saxofone, oboé, corne inglês, fagote, contraforte e clarinete, além de cravo e seção rítmica, uma combinação que não pertence a nenhuma tradição específica e nem pretende pertencer. O trabalho pode parecer mais erudito, porém vai além.

Ele escreveu dez peças, cada uma regida por suas próprias regras internas — sua própria instrumentação, sua própria lógica de tempo, seu próprio senso de direção. Nada em “10 Blue-Penciled Stories” se estende para a faixa seguinte. São composições que se abrem, se desenvolvem e se fecham, uma após a outra, como capítulos.

Inteligentemente, como é toda a abordagem do disco, Otto já disponibiliza na primeira faixa, “Tiptoe Elephant” uma canção que resume muito bem o disco. Com um clarinete tomando à frente, logo surgem elementos do synthwave com os sintetizadores em harmonia, o que já impacta o ouvinte. Do nada, a música ganha uma levada do jazz, quase que de bossa nova, tudo se entrelaçando e gerando uma música fenomenal.

Se você leu o título de “Trapped In Rap” (algo como ‘preso no rap’, em uma tradução livre) e deduziu algo inspirado no hip-hop, acertou. A ousadia de Otto é tanta que ele conseguiu criar uma canção com elementos do hip-hop, sem perder sua essência clássica. A música une batida típica, percussão bem sacada num ritmo latino e sopros graves, o que faz com que a faixa seja mais um dos destaques.

“Running Unicorn” fecha a trinca dos destaques. A faixa é mais erudita e melódica, mesmo assim, em uma mudança brusca de andamento, mostra ume levada marchante e divertida de bateria, provando que o humor está em todos os cantos do álbum. Claro, essas são as faixas que resumem, mas vale à pena ouvir os pouco mais de 44 minutos do disco, que nem parece ser um trabalho instrumental, de tal instigante.

 

 

https://open.spotify.com/artist/6uMeiqmPY15hk9mR0r6ink?si=KH7spiLxQbmZMy0Kp4o14w

https://instagram.com/otto_orany