Ainda que a sonoridade que puxa a introdução da faixa de abertura do álbum tenha uma presença ligeiramente pipocante, em virtude de sua identidade sintética, ela é capaz de fazer com que a atmosfera assuma uma paisagem enigmática. Assim que o enredo lírico se inicia, o que não tarda a acontecer, a obra surpreende por transpirar brisas fantasmagóricas em razão da forma ululante e vocálica com que as vozes preenchem o escopo do canto. Quanto mais se desenvolve, porém, mais Whispers surpreende o espectador por apresentar uma estrutura que combina nuances technos com brisas de uma new wave embrionária, mas perceptível.
Delicada, introspectiva, mas soturna em meio ao seu frescor interessantemente melancólico, a canção é marcada por beats bem pronunciados e posicionados de forma a introduzir uma perspectiva rappeada para esse ecossistema que já se mostra envolto em boas doses de torpor. Inquestionavelmente dramática, Devil’s Trap surpreende por, no instante em que o enredo lírico se anuncia, assumir contornos de uma pura intensidade lírica. Vivida por Kael Scott e seu timbre equilibrado entre dulçor e agudez, esse contexto transpira visceralidade e pungência, enquanto se perde por entre falsetes bem executados e momentos de notável angústia. Marcada pela divisão de enredo entre Kael e Mark Masguro, a faixa tem, em um piano pincelado de maneira pontualmente sincopada, o elemento capaz de enaltecer a energia dramática da composição.
Inquestionavelmente sintética, a canção, desde seu início imediato, explora um interessante toque de acidez que a faz crescer em imponência, mesmo que ainda não tenha atingido sua própria maturidade. Com um dulçor cada vez mais crescente, a faixa vai conseguindo, gradativamente, combinar, na companhia de Beatman, percepções inerentes tanto ao torpor quanto ao senso de transcendência e brisas de um épico embrionário. Dançante ao mesmo tempo em que transpira, curiosamente, traços de texturas sensoriais oníricas, Summer Night’s Dream, em sua versão estendida, traz o trance sob uma ótica contagiante e estimulante.
Com um escopo rítmico marcante tanto quanto aquele ofertado na faixa anterior, a presente composição também se vê liricamente narrada por uma voz feminina levemente aguda e doce. Sussurrante em alguns momentos, essa mesma voz consegue introduzir, aqui, breves nuances de uma sensualidade de aparência despropositada, mas que acaba auxiliando na aquisição de um bom senso de fluidez. Com elementos que propõem uma interessante combinação entre techno, trance e acid house, From The Edge To The Rise: A Fight For Light, em sua versão radiofônica, faz com que o torpor insurja brisas fantasmagóricas ainda mais salientes do que aquelas ofertadas em Whispers.
Não se pode dizer que B-Emo To be Emotional is not a Suggestion It is the Lifestyle seja simplesmente um álbum dançante. Ele é muito mais que isso. Ele combina experiências sensoriais distintas que culminam em uma experiência sonora única que faz com que o transcendental, o onírico e o torpor criem um universo cinemático único.
Envolvente e sincopado, ainda que dê destaque às suas quatro primeiras canções por ser, nelas, que evidencia com mais proeminência os apontamentos dados, o álbum é, por inteiro, um conteúdo de pura experimentação músico-idiomática. Com mais de uma hora de duração, o álbum promove o diálogo direto entre paisagens sonoras como trance, acid house, techno e brisas raps de maneira a combinar sensualidade, pulso e consistência. É isso que torna B-Emo To be Emotional is not a Suggestion It is the Lifestyle um disco muito além de puramente versátil, mas, sim, plural.
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