O som é gordo, sintético, hipnotizante. É como se, através de curtas e súbitas marolas, ele trouxesse o torpor e envolvesse o espectador em um reino de fantasias inconscientes irresistível e sem saída. Curiosamente, porém, um toque cru começa a surgir, não aos poucos, e muito menos de forma essencialmente bruta e súbita.
Com a presença gradativa de um beat de aparência orgânica preenchendo o ambiente com uma mistura de estridência, nitidez e secura, a canção vai se tornando sincopada e levemente vulnerável. Por vezes parecendo haver erro em sua reprodução por trazer consigo a identidade sonora travada do scratch, aquele toque típico de um disco de vinil riscado, combinando, assim, nuances de tradição, toques retrô e a modernidade digital.
Ainda assim, inevitavelmente o que chama mais atenção na composição é a forma como ela explora a textura ácida e áspera do electro como maneira de causar certa tensão na experiência auditiva do espectador. É como se o caos insurgisse em momentos pontuais e matematicamente construídos por terem um grande peso na dinâmica da faixa. Além disso, é necessário pontuar a mudança de cadência do ritmo, fazendo com que seu andamento se torne arrastado e bastante frenético a ponto de trazer consigo influências nítidas do drum n’ bass com ligeiras incinuações do trip hop. Com OUROBOROS, portanto, o Aux Volta apresenta um feroz IDM equilibradamente misturado ao breakcore.
Mais informações:
YouTube: https://www.youtube.com/@AuxVolta
Site Oficial: https://www.auxvolta.com/
Bandcamp: https://auxvolta.bandcamp.com/

