Phoenix | Let Go Echo lança EP com riffs ambientes e beats technos alienígenas

Não tem como não se envolver com a energia fornecida pela introdução da composição. Diante de uma sonoridade ecoante de nuances cuidadosamente sintéticas, o ouvinte é capturado por sensos de insegurança e vulnerabilidade que tornam a sua experiência um tanto tensa e desconfortável. Conforme o riff da guitarra rasga o ambiente com uma acidez tremulante e com nuances curiosamente sci-fis, e o beat é percebido de forma seca em meio aos seus pulsos, Energy Rx proporciona um instante de introspecção com direito à interação com uma estrutura rítmica que, apesar de se manter minimalista, amplia a sua presença fazendo com que seus beats, ainda secos, pulsem de forma cadenciada de maneira a flertar timidamente com o blast beat.

A sonoridade que rege a introdução da presente canção é como a observação de um céu esperançoso após o caos. Ainda assim, é interessante como a guitarra e o sintetizador, diante de seus minimalismos sintônicos, são capazes de oferecer brisas de uma tensão intrigante, mas não necessariamente trevosa. Cheia de sonoridades estridentes que bebem da base da estridência, Roswell amadurece a percepção de que o EP tem, no sci-fi, um importante cenário melódico que pauta seus universos. Porém, aqui, especialmente, o ouvinte também se depara com um instante em que a canção se transforma em algo audaciosamente dançantes.

Se a faixa anterior permitiu ao ouvinte um mergulho no universo da música eletrônica, a faixa-título, que começa a ser estruturada, já mostra a sua identidade eletrônica desde seu início imediato. Por meio de seu beat de nascimento maduro, a canção envolve o espectador em contato direto com a techno music. Envolvente e levemente sensual no que tange a noção de movimento, a canção ainda se vale pela presença de sonoridades sintéticas que oferecem, de forma graciosa, o torpor.

O som que rege o amanhecer da composição é estridente, mas não chega a incomodar. Afinal, ele é regido por certa dose de delicadeza que espanta a sensibilidade de ruídos e outras nuances de crueza. Diante da presente composição e de suas propostas sensoriais, o ouvinte, definitivamente, se percebe em uma espécie de passeio espacial. Isso porque, mais do que as canções anteriores, Interstellar Love Song combina o astral, o místico, o esotérico e o sci-fi de maneira brilhantemente equilibrada. 

É sempre um desafio para um produto instrumental conseguir atrair, cativar e prender a atenção do ouvinte. Por isso, é uma grande felicidade quando esse feito é alcançado. Felizmente, é exatamente isso o que acontece com Phoenix. Com seus beats extra-terrestres, suas guitarras ambientes e seu sintetizador esotérico, o espirituoso divide igual espaço com a tensão, a melancolia e um curioso senso de redenção. Tudo diante do sci-fi como a base absoluta de sua sonoridade. É por essa razão que o EP é um produto de natureza estrutural inquestionavelmente intrigante.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/77EH9g1M4Qb87NVMoeruVA

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