O violão vai emitindo um som que cresce em potência e presença de forma gradativa. Mas não é bom se enganar, afinal, ao mencionar seu crescimento, não quer dizer que a canção exploda ou tenha uma transformação robusta em sua paisagem. O que acontece é que o instrumento, ao se tornar mais firme em sua desenvoltura, além de exalar um som mais forte, denuncia a sua roupagem melódica folk.
Intimista e desenhada sob uma cadência interessantemente trotante, a melodia, ainda que se mostre delicada, em certo aspecto, também surte em um efeito que induz o ouvinte à percepção de uma breve sensualidade. Quando o enredo lírico finalmente começa a ser construído, a canção se felicita pela presença de um timbre masculino agudo e levemente adocicado que consegue intensificar a ideia do delicado.
Ainda assim, o que marca a performance de Darren Flynn é a sua atuação de forma a trazer certa dramaturgia teatral para o centro dos holofotes. Brincando com o sinistro e com o sorrateiro, mas também com certa dose de cinismo e deboche, o cantor, a partir de certo momento, se percebe respaldado pelo toque agudo e levemente opaco do banjo, consolidando a composição como um produto de natureza regional bastante marcante. Diante dessa paisagem estético-estrutural, Pinebox se apresenta como um folk que Flynn pode defender com mais convicção.
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