Présence Absente | Alex Tolm lança álbum que trata sobre ausência e memória

Inevitavelmente, a melancolia transborda de todas as arestas da composição a partir da forma como os breves sons líricos interagem com a melodia chorosa e cabisbaixa assumida pelo piano. Ainda que haja dulçor e delicadeza em meio à sua estrutura, a composição surpreende por fluir para um ambiente de pulsos firmes e sincopados adornados por um compasso lírico interessantemente rappeado. Minimalista e brevemente atmosférica, Ombre En Boucle se mostra intrigante e bastante charmosa diante do idioma francês adornado pelo equilibrado uso de autotune por parte de Alex Tolm.

Trazendo consigo uma sonoridade digital levemente azeda que, invariavelmente, oferece uma insinuação eletrônica de potencial dançante, a faixa, logo no despertar de seu primeiro verso lírico, amadurece essa percepção. Diante de uma base rítmica pulsante em meio a uma identidade house, a canção explora um senso de contágio graciosamente recebido de forma a escancarar uma inclinação melodiosa percebida a partir das modulações líricas aqui assumidas por Tolm. Diante disso, Danse Sans Moi traz consigo uma estrutura atraente e radiofônica que funde ritmo em house e texturas associadas ao aspecto electro.

O drama parece voltar com força. Pausado durante a execução de Danse Sans Moi, ele parece retomar a mesma identidade sentimental estacionada em Ombre En Boucle, mas com ainda mais profundidade emocional. Delicada, mas com um sofrimento latente observado tanto diante da performance do piano quanto a partir das modulações lírico-interpretativas assumidas pelo vocalista, a faixa caminha por uma paisagem de tons esfericamente acinzentados e de performance unicamente lacrimal. Agraciada por pounchs verbais rascantes e viscerais, Pardon, J’parle Tout Seul explora a intensidade, o áspero. Explora a dor e a decepção. Uma obra emotiva em que o autotune assume grande peso no que tange à sua textura.

Fugindo do dolorido e do submundo do sofrimento muito bem vivenciado na canção anterior, a presente faixa convida o ouvinte a caminhar por um ambiente respaldado por uma energia que aparenta se basear no simples deboche. Divertida, leve e de base rítmica dançante, mesmo que em meio a uma harmonia de caráter linear, Tout Va Bien (T’inquiète) traz consigo um contágio viciante e penetrante a partir de sua mescla de base house e estética electro.

Seguindo essa mesma linha sensorial, mas explorando nuances sonoras mais agudas e levemente bojudas, a presente canção destaca a interpretação levemente sussurrante de Tolm como uma boa estratégia de fundir, naturalmente, um toque sensual de maneira bastante sutil e orgânica. Mantendo a base rítmica pautada no house, a faixa pode até ser construída perante uma harmonia linear, mas a sua conjuntura permite ser recebida de maneira naturalmente contagiante pelo ouvinte. Com sintetizadores mais digitais, Notifications Vides explora uma breve sensualidade como forma de destacar a maciez de seu movimento linear.

A partir do que foi presenciado em meio à sua sequência de composições, Présence Absente surpreende o ouvinte. Surpreende pela forma como consegue combinar momentos de harmonia orgânica e bem trabalhada com instantes puramente sintéticos. Surpreende por fundir, tão bem, textura e emoção. Sua principal coroa está, portanto, na sua capacidade de misturar sofrimento com deboche em meio a melodias que vão do dramático-introspectivo ao expansivo-dançante.

Tudo isso, claro, diante do charme involuntário e despropositado do sotaque afrancesado do belga Alex Tolm. A partir dele, o cantor consegue trazer, inclusive, boas doses de uma sensualidade tão natural que vem completamente ausente de uma natureza propriamente libidinosa. 

Entre a amplitude sentimental do piano e a vastidão de texturas do sintetizador, o álbum, ainda que dê maior destaque às suas cinco primeiras faixas por elas sintetizarem, com maior afinco, os apontamentos até aqui listados, dá a devida atenção também a títulos como a entorpecente Silence En Stéréo e a atmosférico-dançante À Côté De Moi. Em sua totalidade, portanto, Présence Absente se mostra um álbum que dialoga abertamente sobre temas como memória, ausência e a necessidade humana de se prender a relações gastas com o tempo.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/1vdpBaRzJJtn0PSpT7ZCTn

Vi.be: https://vi.be/platform/AlexTolm

YouTube: https://music.youtube.com/channel/UCWuf-qqbHG01X4ZvziNHM2w

Instagram: https://www.instagram.com/alex.tolm/