Produtor Michael Lazar anuncia Daydreaming, seu novo e cinemático EP

Não é necessariamente apenas pipocante. A forma como sua sonoridade sintética se apresenta na ânsia de oferecer ao ouvinte uma introdução calma e atraente se vê adornada por uma nuance lúdica contagiante. De sabor doce e ambiência curiosamente amaciada, é interessante perceber que a obra consegue fundir o pop com brisas etéreas de caráter postural introspectivo. Melodicamente linear, a faixa-título é guiada por uma estrutura rítmica lexicalmente minimalista e por uma camada lírica moldada por uma voz masculina suavemente grave vinda de Michael Lazar.

Pelo som do canto dos pássaros, o ouvinte tem a opção de escolher entre uma sensorialidade nativa e rodeada por uma natureza frondosamente virgem e uma atmosfera lexicalmente fantasiosa. Onírica em certos aspectos, a presente canção mostra Lazar se enveredando por uma vertente sonora do pop que, assim como na música anterior, que remeteu ao Justin Bieber, aqui, ele se percebe inclinado em uma sonoridade à la Katy Perry. Magic Hour mistura um toque de synth-pop com direito a uma narrativa construída por meio do vocalista em meio a um timbre mais empostado.

Aqui, o toque sintético é, invariavelmente, o protagonista estético-sensorial. Fazendo com que o ouvinte se sinta incentivado a dançar ou, ao menos, mexer o corpo no ritmo do som, a canção propõe uma interessante intersecção entre o synth-pop com uma pitada de pop misturado com new wave. Envolvente, Want Me Back explora texturas macias e um torpor de natureza agradavelmente inebriante envolto em um toque de perfume naturalmente floral. 

Apenas pela presença do piano, a canção acaba levando o ouvinte a viver uma primeira experiência sensorialmente dramática. Surpreendentemente rememorando a versão de Rufus Wainwright para Hallelujah, a presente faixa é abraçada por um coro vocal que mistura nuances de soul e gospel em seu formato. Introspectiva e automaticamente romântica, a cover de Can’t Help Falling In Love, single creditado a Elvis Presley, traz Lazar experimentando um encorpamento vocal ao extremo, de tal modo que quase atinge um tom operístico. 

By My Side continua a trajetória sensorial da música anterior, uma vez que mantém um viés dramático pungente. Porém, aqui não há requintes de romantismo, sendo apenas o drama com um a leve pitada de melancolia que preenche a presente atmosfera. Introspectiva, a faixa consegue imprimir um pop de estética mista dos anos sessenta com os setenta. Isso acontece em razão da forma como a voz de Lazar é trazida, bem como o desenho do instrumental.

Mais dramática do que as canções anteriores, Life Of The Butterfly experimenta pungência, melancolia e introspecção sob uma ótica quase rascante. Minimalista e com pausas um tanto longas para dar um peso dramatúrgico cinemático e pegajoso, a faixa exprime um dulçor interessantemente frio enquanto propõe um caráter metamorfósico através de seu instrumental tocante. Guiada por uma voz sentimental cheia de desesperança, a faixa é moldada por um beat sereno que tenta trazer um toque de leveza em meio a um cenário d fim iminente.

Daydreaming é um EP que pode muito bem ser colocado como cinemático. Afinal, cada uma de suas seis canções faz com que o ouvinte vivencie experiências sensoriais diferentes entre si, mas igualmente profundas. Da sensualidade, passando pelo drama, a pungência e o romance, o material é capaz de inebriar, entorpecer e comover o espectador com uma somatória de sabores doces e energias desesperançosamente frias, mas, curiosamente, contagiantes e atraentes. Eis aqui, portanto, um produto que oferece uma vivência emocional vasta.

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