A canção de abertura do álbum tem sua introdução comandada pelo efeito fade in. Diante dele, a sonoridade é introduzida de maneira gradativa, paulatina. Ainda assim, quase de imediato, a natureza da melodia proposta já permite ao ouvinte perceber que a obra em andamento se enquadra perfeitamente na seara da música eletrônica. De movimentação ondulante e natureza levemente ácida, a melodia inicial leva o ouvinte para um mundo de irresistível torpor. Um ambiente em que a sutileza, a vulnerabilidade e o envolvente se unem em prol de uma sensualidade graciosa. Na presença de uma sinergia electro, Welcome To Psychedelika se apresenta como uma boa introdução em relação àquilo que o ouvinte poderá encontrar diante de PSYCHEDELIKA Pt. 1.
A sonoridade, aqui, se mostra mais melodiosa e aveludada. De sabor doce e sensorialidade fresca, ela exorta uma involvência que, desde muito cedo, é irresistível. Surpreendentemente, porém, tão logo a sua introdução é iniciada, a canção leva o ouvinte para um ambiente de levada rítmica pulsante em meio às suas nuances acústicas. É nesse mesmo instante, inclusive, que o espectador entra em contato com uma linha lírica vivida pelo batizado Kane Michael Luke. Com seu timbre afinado perante as suas singelas inclinações graves de caráteres envolventes e afinados, as quais são muito bem usadas nas pronúncias verbais sussurrantes, o cantor coopera para que I Don’t Need To Say conquiste uma identidade inquestionavelmente sensual.
O som sintético de nuances levemente borbulhantes expressos pelo sintetizador embebem o espectador em meio a incentivos sensoriais entorpecentes profundos. Expondo, até mesmo com mais clareza e evidência que Welcome To Psychedelika, a natureza melódica electro, a canção se vale pela sua natureza fresca e profundamente sensual. Talvez em razão da forma como Luke pronuncia as palavras que compõem o enredo lírico, ou, ainda, a maneira como a guitarra é introduzida no escopo melódico, não apenas criam, mas, especialmente, enaltecem essa identidade aveludadamente swingada. Se mostrando curiosamente sincopada no que tange a levada rítmica, Here, Now se destaca pela mistura de texturas e por uma espécie de introspecção saliente reforçada pela adoção de um tom mais encorpado por parte do vocalista.
Se existia sensualidade nas canções anteriores, essa qualidade é a base inquestionável tanto do escopo rítmico-melódico quanto da energia da composição que se anuncia. Se consagrando como uma obra de inclinações libidinosas em razão da combinação dos pulsos bem marcados e da textura levemente áspera de um chimbal seco, My Muse é uma canção aromática cheia de envolvência. Regida por uma postura provocante e sexy, ela consegue apresentar a mesma energia arrepiante alcançada por Robbie Williams em She’s Madonna.
Algumas palavras servem para descrever o que, de fato, é PSYCHEDELIKA Pt. 1. Sensual; provocante; intimista; libidinoso; intrigante. Diante disso, o ouvinte se perde em um mundo de extensas viagens sensoriais que simplesmente têm a capacidade de entorpecê-lo em razão da densidadede cada emoção explorada.
Delicado estruturalmente e bebendo de nuances esotéricas a partir de seu escopo sonoro, o álbum se apropria do electro como a base da construção de suas melodias, inclusive de suas batidas rítmicas. É assim que ele garante para si a identidade dançante, que é muito bem destacada perante a execução dos quatro primeiros títulos de sua sequência de faixas. Em sua máxima essência, porém, PSYCHEDELIKA Pt. 1 se consagra como um álbum visual que fornece um olhar caleidoscópico da vida por meio de lentes sem filtro. Um produto surreal, cru, vulnerável e perfeitamente humano.
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