Não é possível. Na verdade, é inevitável. A maneira com que a canção tem seu despertar decretado não somente ou simplesmente embasado no senso mais profundo de melancolia. Ele é dramático, lacrimal. Ele é adornado por sensos de desesperança associados com requintes de absurdez. O pesar, inclusive, permeia o ecossistema como um abraço compassivo que oferece conforto e proteção.
Graças ao violino cabisbaixo e lancinante em relação à sua dor interna gradativamente exposta por meio de uma melodia pungente, a canção vai transformando ou, na verdade, fazendo com que o céu evidencie a sua verdadeira natureza. Se despindo de um azul-anil manipulativo e expondo seu tom cinza monocromático em meio aos raios que rasgam a sua calmaria funesta, ele encaminha o espectador para um ambiente em que o rap verbaliza todas as angústias até aqui pontuadas.
Por meio de um verso lírico sincopado entoado por um timbre masculino intermediário de posse de Radaza, a faixa explora a melancolia e um senso de desesperança incalculável. Adornada por pulsos rítmicos firmes e potentes, mesmo sem o uso do subgrave, a versão remix de Can’t Breathe, no comando do rapper e sua sensibilidade inquietante, explora temas sociais inerentes ao senso de injustiça em meio ao atual estado do mundo.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/5DHFoH05Tl6LjHXfUS65UZ

