Ela não é apenas dramática. Pela sonoridade de veia levemente estridente, a canção explora uma embrionária noção de caos que chama a atenção do espectador. Despertando, nele, também os sensos de insegurança e desproteção, a faixa surpreende o espectador por ter sua narrativa lírica proferida por uma voz masculina grave e denotativamente encorpada, empostada.
Na posse de Rafael Xavier, ela esboça sensos de melancolia de maneira bastante pegajosa, o que enaltece uma sensorialidade entristecida presente na atmosfera. Com seu sotaque português de Portugal, o cantor, invariavelmente, coloca um charme extra na composição, ainda que, em sua máxima essência, Ócio traga consigo um retrato obscuro e poético do julgamento do próprio eu-lírico pelo seu estado interno vazio e estagnado.
