Ray’s Music Exchange anuncia A Live Family Rayunion 2025, seu novo álbum

A ideia que se tem é de apenas um deslizar perante a superfície das cordas da guitarra ligada à distorção, afinal, o que se tem é apenas uma conjuntura de lampejos agudos que ecoam brevemente pelo ambiente de forma a sugerir o apoio do efeito wah wah. Assim que atinge certo patamar de firmeza sonora, a faixa se permite crescer e explorar, além da levada rítmica sincopada, a corpulência saliente que o baixo oferece a partir da base melódica. Sincopada e lexicalmente groovada, Furley’s Comet, com seus mais de sete minutos de duração que lhe conferem o título de faixa mais longa do álbum, traz consigo um caminhar introspectivo até a entrada de instrumentos de sopro que a ofertam vivacidade e brilho. De identidade jazzista, a faixa garante ao ouvinte momentos de sensualidade e um contágio diretamente associado à diversão e ao caráter expansivo.

O começo é imediatamente puxado pelo baixo. Mesmo que um tanto tímido, o instrumento pode ser facilmente percebido se apropriando da base melódica enquanto o chimbal sugere contornos de uma secura cadenciada e a guitarra, com seu efeito lap steel, faz ecoar uma agudez que sugere uma atmosfera curiosamente havaiana à paisagem sônico-estrutural. De inclinações um tanto tribais em razão dos elementos percussivos que acompanham a desenvoltura da bateria no alicerce rítmico, Quartalchondriac 12-tone Jam surpreende ao trazer trompete e saxofone conversando de maneira quase delirante no escopo harmônico. Entre trechos de cadência subitamente acelerada e outros em que o torpor parece imperar, a faixa se mostra uma verdadeira jam session no que se refere à sua veia improvisada.

Com um swing que parece sugerir o reggae como principal ingrediente estrutural de sua identidade, a faixa combina leveza, frescor e sensualidade combinados com uma leveza agradavelmente contagiante. Agraciada por momentos em que sugere inclinações para com uma tomada onírica, a composição é marcada por uma linearidade rítmica que intensifica o seu próprio senso de embriaguez. Com We Like You, o grupo ainda consegue envolver o ouvinte em meio a sugestões de uma espécie de romantismo psicodélico que chama a atenção pela sua excentricidade.

Peruvius, com as suas frases de baixo marcantes que sugerem uma espécie de suspense densa capaz de rememorar a introdução feita por Tim Commeford na introdução de Killing In The Name, icônico single do Rage Against The Machine, caminha por uma introspecção um tanto sorrateira que ganha ares hipnóticos em razão da desenvoltura da guitarra. Ainda assim, o que chama a atenção na presente canção é o equilíbrio entre a própria guitarra e o trompete, tendo, ambos, momentos de brilho ao serem responsáveis pelos seus devidos solos.

Dancing About Architecture, com suas brisas oníricas e sua identidade dançante expansiva; e U ‘N’ I, com o protagonismo do wah wah como efeito que ressalta uma sensualidade malandra e cínica de tomadas funkeadas, fecham A Live Family Rayunion 2025. Com essas faixas adornando a sua track list, o álbum não mostra nada além de sua versatilidade e profundidade de desenvolvimento nos campos do jazz e da música de improviso.

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