Ela é inquestionavelmente introspectiva. Irresistivelmente melancólica. Pegajosamente dramática. Com seu instrumental sintético exalando um tipo de sofrimento visceral, Prélude sugere um intimismo profundo. Através de seu andamento lento e da combinação de sonares adocicados e digitalmente entorpecentes, a faixa consegue fazer com que o ouvinte vivencie uma espécie de vazio existencial por momentos curtos, mas já suficientes para causar boas doses de frisson.
A utilização do efeito fade in, aqui, faz toda a diferença. Afinal, conforme os sons sintéticos vão pipocando de forma cada vez mais presente, o espectador vai percebendo a assumição de uma natureza embrionariamente envolvente. Capaz de construir uma infraestrutura fresca, mas curiosamente sensual, Rain And Pain, na versão club criada por Sasha Mate 2.0, envolve o espectador em uma atmosfera de extrema envolvência e senso de contágio.
Um alvoroço ambiente é percebido conforme a música defende uma postura orgânica e, de certa forma, visceral. Contudo, o beat, dando protagonismo ao som seco do chimbal, vai criando uma ambiência dançante até que, com o soar do gongo, a faixa é mergulhada, por completo, no mais tradicional synth-pop. Com sons ácidos e um compasso rítmico pulsante, a faixa-título consegue fazer o ouvinte se perder em meio ao ambiente de caráter surpreendentemente sombrio. Não muito depois, a obra é preenchida por um timbre masculino grave que coopera, mesmo que minimamente, com a luta da audiência em prol da manutenção do senso de sobriedade.
O toque ácido e pipocante torna a canção envolvente, ao passo que já comunica a conquista de um ânimo dançante. Necessário pontuar que, aqui, a maneira como o beat se posiciona e a forma como a linha lírica é desenvolvida, tornam Every Night Is A Fight – People Theatre’s Boxing Mix uma faixa inquestionavelmente sensual e, consequentemente, sedutora.
Ela começa de maneira gradativa e, principalmente, minimalista. Com um som ondulante levemente agudo, a faixa sugere uma noção de movimento de caráter entorpecente. Auxiliado por toques levemente ácidos e por pulsos espaçados, mas enfáticos em seus golpes secos, a obra adquire para si menções iniciais de drama e introspecção. Quando o vocalista entra em cena, ele consegue transformar To Love Again. A tornando contagiante, mas não alegre e solar, o cantor mistura seu francês nativo com o inglês de forma a fazer, da música, um produto charmoso abraçado por um enredo que aspira romance, mesmo que suavemente.
Resistance é um álbum marcante em vários aspectos. O primeiro e principal é a combinação de idiomas. Entre o francês e o inglês, Myselfson consegue torná-lo um material charmoso e, ao mesmo tempo, de apelo internacional, ampliando, assim, sua base de ouvintes.
Outro detalhe é a somatória de sensorialidades que ele sugere ao ouvinte. Da introspecção ao torpor, passando pela sensualidade e pela dramaticidade, ele é um material que caminha livremente por entre os dois polos emocionais. Seus beats e as suas combinações de sons sintéticos cooperam com essa afirmação.
Ainda que presentes nas primeiras cinco músicas da track list, essas características, invariavelmente, estão presentes nos restantes das obras. Faixas essas que estão divididas entre músicas inéditas, duas covers e várias remixes de composições retiradas do álbum de estreia de Myselfson. Resistance é, portanto, um álbum de torpor e sensualidade de caráter irresistível.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/7aZLw3O2Khm9GlaHPst2O2
Site Oficial: https://myselfson.com/
Facebook: https://www.facebook.com/myselfson
Soundcloud: https://soundcloud.com/myselfson
Bandcamp: https://myselfson.bandcamp.com/album/resistance
YouTube: https://www.youtube.com/@myselfson
Instagram: https://www.instagram.com/myselfon

