O som das cordas é grave e reverbera pelo ambiente vazio com uma entonação que sugere não um drama comum, mas uma espécie de introspecção densa associada à melancolia e a um senso de inevitabilidade. Conseguindo fazer com que o ouvinte seja adornado por um sincero sentir de vulnerabilidade e insegurança, tal estrutura baseada no minimalismo sônico chama a atenção pela profundidade sônico-sensoriais com um instrumental unilateral e extremamente enxuto.
Capaz de fazer com que o ambiente seja adornado por uma paleta de cores monocromática baseada no cinza, a melodia que pauta a composição molda o ecossistema com uma melancolia gélida pautada pela simples energia da desmotivação. Surpreendentemente, ao primeiro sinal de agudez estética, a canção começa a exortar as lágrimas como em um processo de gradativa libertação emocional.
Ainda que não se liberte da tensão que marca o seu ecossistema, a faixa se permite vivenciar momentos de delicadeza e dulçor em meio a um embrionário caos psicológico. Igualmente ecoante, a harpa se funde ao violão de forma a criar um interessante contraponto entre fragilidade e pessimismo. De certa forma, é quase como se o ouvinte fosse capaz de vivenciar um embate entre Richard Wagner e Frédéric Chopin. O expressionismo ante a densidade com um toque de sombrio. Diante da sensibilidade conjunta de Anne Vanschothorst e Thijs de Melker, Riff assume uma identidade que transforma uma gravação acústica de harpa em algo respaldado pela memória e pela imaginação.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/2k7DI6UHLqkBZoFPN8Xazj
Site Oficial: https://www.harpandsoul.com/
Soundcloud: https://soundcloud.com/harpandsoul
Bandcamp: https://harpandsoul.bandcamp.com/

