É de imediato. O bruto, o sombrio e o áspero se unem como um único som diante da união entre uma guitarra de riff denotativamente áspero e uma bateria de pulsos extremamente firmes que conduzem o ouvinte para uma execução rítmica não apenas densa, mas altiva e consistente. Trazendo consigo silhuetas de um fantasmagórico pegajoso em razão da formatação sônica do sintetizador presente na base melódica, a faixa acaba conseguindo atingir até mesmo uma textura de superfícies pegajosas.
Com uma asquerosidade incandescente e cínica, a composição acaba criando um universo que incentiva o ouvinte a se sintonizar com o inseguro, com o traumático e com o amedrontador. Além de trazer uma superfície crua que suscita a vulnerabilidade comportamental, a faixa exibe nuances de visível caráter industrial no momento em que o primeiro verso se anuncia. Nele, o ouvinte se identifica com uma tonalidade hipnótica de uma acidez minimamente doce, mas, o que salta à sua percepção é o toque tecnológico do sintetizador em contato com a interpretação lírica sussurrante e sorrateira de Elenor Rayner.
Provocante, inquisitiva e grudenta no que se refere à sua proposta do choque pela textura e a inquisição em relação à proposta lírico-interpretativa, Cease And Desist combina o soturno e o asco, o cinismo e o pegajoso, o sombrio com o provocante. Uma obra em que o ciberpunk e o gótico se encontram em uma espécie de confraternização mórbida e futurista, fétida e digital.
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