Uma textura ácida e áspera, mas ao mesmo tempo curiosamente melodiosa, se pronuncia como o primeiro elemento devidamente sonoro a recepcionar o ouvinte. Depois de presenciar um guia de cadência sugerido pela bateria em meio à sua levada acústica e de detalhes fluidos, a obra permite que o espectador se deleite com o timbre adocicado e de nuances levemente estridentes de Dorothy Mour.
Com o devido destaque em relação à aspereza do wurlitzer na camada melódica, a cantora parece se apresentar com o intuito de entregar suavidade e um interessante tom de misticismo ao contexto sonoro em desenvolvimento. O interessante, porém, é observar que a canção destaca um ecossistema entorpecente que se constrói perante um andamento rítmico cuidadosamente quebrado e uma guitarra cujo riff suavemente azedo ecoa livremente pelo ambiente introduzindo sinais de transcendentalidade.
Ainda se favorecendo da presença de elementos de sopro que entregam uma guinada necessária no âmbito harmônico, a canção não permite que a sua identidade frágil e entorpecente seja abalada. Conduzindo a audiência para uma percepção que circunda a fusão do art-pop com o trip hop, Run To The Gates Of Troy não apenas suscita o mítico, mas se torna atraente por traduzir o romance existente entre Achilles e Patrocus.
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