Sua natureza se mostra, desde o início imediato, experimental. Dando uma ideia prematura de que promoverá a incursão sonora perante o campo sensual do funk em virtude da forma como a melodia é inicialmente apresentada, a faixa rapidamente é agraciada pela presença macia e doce do fender rhodes, elemento que, cuidadosamente, vai preenchendo o espaço com uma embrionária noção de harmonia.
Ainda que isso der fato aconteça, é interessante perceber a maneira com que a composição vai se desenvolvendo. Graças à camada rítmica que vai moldando a obra com seu viés mais racional, a canção, inclusive, tem seu caráter swingado levemente enaltecido. Com seu andamento macio e sincopado, o beat ainda é responsável por inserir na atmosfera uma boa dose de fluidez.
Nesse ínterim, o ouvinte se vê na companhia de uma voz masculina de timbre levemente grave. Vinda de Hugo Oak, ela apresenta nuances que se familiarizam com o tom de Lenny Kravitz. Com seu poder vocal sereno, Oak presenteia o ouvinte com uma atraente, confortável e contagiante imersão estrutural em uma singela mistura entre R&B e soul, fazendo de S.M.S.tt.D., abreviação de Sold My Soul to the Devil, uma obra viciante e lexicalmente sensual, mas sem necessariamente se ater no quesito puramente sexual.
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