Ainda que o ouvinte seja capturado pela sutileza e delicadeza do piano durante os primeiros instantes sonoros que regem a introdução, a faixa vai surpreendendo de maneira gradativa com a inserção de uma sonoridade que, ao promover um bom senso de andamento no que diz respeito à fluidez, desperta uma sensorialidade curiosamente sensual que chama a atenção do espectador.
Criando uma atmosfera não apenas transcendental, mas capaz de misturar o místico com interessantes nuances de esperança, a faixa vai se desenvolvendo com o auxílio de uma voz masculina de timbre levemente grave, mas de empostação afiada e hipnotizante. A partir daí, é até possível de se presenciar uma familiaridade entre tal timbre e aquele de posse de Curt Smith.
De energia atmosférica e introspectiva, a faixa vai ganhando certo crescimento em sua narrativa sonora com a aparição da bateria acústica preenchendo o escopo rítmico. Agora mais consistente e precisa, a canção, a partir do instrumento, se vê experimentando contornos que flertam com a paisagem da new wave, o que contribui para a ambientação do ouvinte perante uma retrospectiva da década de 70.
De refrão de natureza espirituosa e cuja harmonia conjuntural levanta a energia de tal forma que faz com que o ouvinte, muito além de se sentir tocado, se percebe com uma certa efervescência em relação ao senso de liberdade e independência, a faixa se completa com a presença do sintetizador e da guitarra elétrica. A partir daí, SACRIFICE serve como um vislumbre de todos os próximos anúncios a serem feitos pelo The Mess:Age.
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