Existem alguns instrumentos que são capazes de tornar as emoções em algo palpável. Real. Tangível. Ainda que a voz seja aquele elemento que consegue extravasar, com maior veracidade e precisão, aquilo que vem do coração, no mundo da música há fatores de igual capacidade. E um deles é o piano. Surgindo de maneira extremamente delicada, ele vem, educadamente, caminhando por entre singelas notas agudas em meio a um ecossistema de aparência vazia. Solitária.
Ainda que transpira boas menções de açúcar, o espaçamento propositadamente pontuado entre uma nota e outra não sugere apenas o dramático. Ele indica um processo introspectivo associado à reflexão. Uma espécie de melancolia exposta na busca por respostas incapazes de serem alcançadas. Estruturalmente minimalista, a composição cresce enquanto o piano se propõe a se aventurar por um movimento ligeiramente mais complexo.
Se deleitando na aquisição de um instante sonoro-narrativo que permite a elaboração de uma beleza neo-clássica, o instrumento faz, de suas notas agudas, vislumbres de uma utopia sensorial. Transitando entre gratidão e uma curiosa alegria saudosista, o piano transforma Saint em uma homenagem bruta e cirúrgica à figura dos pais de Carl Liungman, mortos recentemente. Eis aqui, portanto, uma balada pianística que captura a fragilidade inerente à transição da vida.
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