Samantha Schmütz anuncia Samba Canção, faixa que enaltece seu crescimento e versatilidade

Não é apenas o veludo que chama a atenção do ouvinte diante da desenvoltura da introdução. É a delicadeza. É a sensualidade. É o frescor. Estruturada de forma a salientar um andamento manso, mas generoso no que tange a exploração de texturas, tal amanhecer traz a superfície do chocalho contribuindo para a estruturação do escopo rítmico. 

Ao mesmo tempo, o sonar opaco do agogô dá um charme tropical e especificamente brasileiro à veia percussiva da obra. Nesse ínterim, o som característico do fender rhodes, associado à saliência pontual do baixo, confere um toque de maciez tão denso que torna a canção uma experiência sonora completamente entorpecente. 

Com direito, ainda, à figura do clarinete abrilhantando o escopo harmônico, a faixa se envereda não apenas à cenografia da MPB, mas, também, da bossa nova de forma a, curiosamente, também defender o movimento tropicalista. É então que, entre a aparição dos metais, uma voz de timbre feminino, afinado e aberto entra em cena preenchendo o espaço lírico.

Eis Samantha Schmütz desfilando não apenas brasilidade, mas uma postura retro no que tange uma espécie de reciclagem da atmosfera paulistano-carioca sessentista. Extravasando a influência de Elis Regina em sua forma de canto, Samantha simplesmente faz de Samba Canção uma ode à música tradicional brasileira. 

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