É interessante perceber como a postura da guitarra consegue definir a experiência sensorial do ouvinte. Por meio de seus curtos, mas ecoantes riffs, o instrumento coloca o espectador não apenas diante de um contexto atmosférico, mas, principalmente, espirituoso. Etéreo. Com um aconchego a ponto de ser transcendental, tal elemento sônico traz o torpor e o aconchego como dois de seus mais importantes quesitos emocionais.
Inquestionavelmente introspectiva, a faixa vai se moldando diante de um caráter reflexivo e calmo que se constrói a partir de uma infraestrutura pautada na significância léxica da palavra minimalista. Instrumentalmente enxuta, portanto, a canção combina um enredo vocal pautado na escola do blues de forma a, curiosamente, rememorar a ambiência harmônica de No Woman, No Cry, single creditado a Bob Marley.
Delicada e aveludada, a canção acaba ganhando novas doses de intimismo a partir da interpretação lírica assumida por Sarah Sharp e seu timbre agudamente açucarado. Capaz de oferecer, ainda, rompantes nostálgico-melancólicos, Don’t Think Twice, It’s All Right, creditada a Bob Dylan, ganha ainda mais emoção e cuidado na versão de Sarah. Afinal, o caráter atmosférico é denso, o intimismo, pulsante e o sentimentalismo atinge um patamar tão visceral que chega a ser até mesmo palpável.
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