Não é preciso dizer que a movimentação mansa do piano já evoca sentimentos complementares de tristeza e melancolia. Enquanto o céu assume uma tonalidade pegajosamente cinza, a chuva cai como um véu, fino e sedoso. Sem uma beleza radiante e vívida, o monocromatismo do ambiente faz com que o torpor seja um sentimento que impregna cada poro, cada fenda e cada aroma trazido pela brisa distante.
Densa e ondulante no que tange à sua movimentação, a faixa esconde uma delicadeza que se mostra, pouco a pouco, frágil em sua aparência. E o interessante é que é justamente a partir daí que a composição consegue extrair, da sua tensão e da sua dramaticidade rígida, um toque terno e surpreendentemente compassivo que amolece até os corações mais frios. Doce, mas com uma linearidade astutamente entorpecente, a faixa faz com que a tristeza alcance as veias e torne o indivíduo a sua própria vítima.
Desenhada inteiramente no piano, a reinterpretação de Ludwig van Beethoven piano sonata no 14 op 27 no 2 Moonlight sonata, feita pelo Sasc Classical, captura a verdadeira essência estético-estrutural emocional da versão original. Soturna, fria, triste e lacrimal em um sentido rascante, ela combina uma jornada de introspecção com um suspiro envolto na mais pura intensidade.
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