Ela se configura, desde seu início imediato, como uma valsa erudita moldada em uma silhueta embriagada em um senso de profunda reflexão. O interessante é que, mesmo se valendo da união sintônica entre violino e violoncelo, ela não se vale apenas e tão somente pela construção de uma camada pegajosa de drama ou mesmo de melancolia. Ainda assim, tampouco se percebe questões inerentes à nostalgia.
Porém, o que ela destaca é uma postura envolta em consciência. Em maturidade de pensamento. Resiliência. Aromática e levemente densa em virtude das notas graves do piano moldando a base sonora, a canção, invariavelmente, vai perdendo seu elo com o racional e se perdendo em meio a alucinações que tiram o ouvinte do caminho previsível.
Com Irene Veneziano ao piano, a faixa acaba mergulhando em um contexto sonoro que traz consigo profundas noções de caos. De desarmonia e de um caminho que chega a beirar o desespero. Da mesma forma, o quarteto de cordas Alchimia, apesar de elaborar um contexto harmônico-melódico de aparência agradável, evidencia, nas suas esquinas melódicas, resquícios de um crescente tom de angústia. É com esse arranjo que despensa palavras que Richard Green transforma Sea Of Memories em uma obra que dialoga diretamente sobre as lembranças da vida ao passo que se percebe a chegada de seus últimos dias.
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