O que o piano faz durante a introdução da composição é envolver o ouvinte em uma experiência sensorial cheia de delicadeza e ternura envolta em uma dose de frescor penetrantemente aconchegante. Introspectiva e serena, a faixa ainda permite, durante o seu processo nascente, que o espectador se perceba emanado por uma fluidez graciosamente amaciada graças ao movimento efetuado pelo chimbal em meio à sua textura seca.
Cuidadosamente aromática e equilibradamente aguda, a faixa ainda se beneficia do sonar opaco e orgânico do toque da baqueta na superfície da haste da caixa. Entorpecente, mas não de uma maneira pegajosa ou apelativa, a faixa se vale pela sua exploração do caráter da fragilidade estético-estrutural, a qual, ainda que evidencie certo quê de linearidade, não interfere na entrega e na sintonia energética alcançada pelo ouvinte em relação à sonoridade que o abraça.
Quando Stu Hillsterad entra em cena e evidencia o seu timbre intermediário e afinado, o ouvinte cria uma espécie de laço afetivo difícil de ser abalado. Afinal, tal voz sugere ternura e zelo, características sensoriais que entram em harmonia com o conteúdo lírico que Secret Child fornece. Suave, a obra explora a importância da consciência da existência enquanto dialoga sobre o amadurecimento.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/2fCkkcFWnPeSK00R9QOpfa
Bandcamp: https://stuhillstead.bandcamp.com/
