Não tem como resistir a um embalo que já se mostra maduro e consistente desde o seu primeiro movimento. Afinal, a canção, ao não ter seu início pautado em uma estrutura devidamente gradativa, põe o ouvinte em contato com um ritmo cheio de estímulo. Do sensual ao convite à dança, ele traz consigo ainda uma identidade regional tamanha que, rapidamente, coloca o espectador na mira da influência do afrobeat.
Pulsante, mas de forma delicada. Arrastado, mas com certa suavidade. Áspero, mas sem brutalidade. Essa é a receita do espectro rítmico-percussivo que a canção oferece durante os seus primeiros instantes, conceito que se mantém até mesmo durante o amadurecimento estrutural. O interessante, nesse ínterim, é observar que, por caminhar diante de passos lineares no que tange aos aspectos melódicos e harmônicos, a composição embala o espectador em um irresistível toque de torpor, mas, também, de hipnotismo.
Felizmente, porém, o viés lírico consegue romper brevemente com o torpor até então difundido pelo simples fato de oferecer uma ligeira mudança na modulação sonora a partir da maneira com que as palavras verbais são vividas. Fresca, envolvente e indubitavelmente sedutora, Shake traz Great Adamz explorando perfeitamente a fusão do ritmo africano, do groove latino e de melodias que inspiram uma postura mais intimista.
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