Uma voz feminina, de caráter adocicado e sedutor, preenche os primeiros sinais sonoros da composição. Rapidamente, ele, na posse de Amara-Fe, é acompanhado por um beat firme e preciso, que caminha pelo cenário ainda inóspito por meio de uma cadência não necessariamente sincopada, mas trotante e, às vezes, propositadamente, truncada. Explosiva em um sentido de excitação, mas não de uma sonoridade agressiva ou mesmo complexa, Eyes On Me traz consigo influências notáveis de Bebe Rexha, o que induz o ouvinte à percepção de que sua estruturação se inclina para com uma paisagem sônica electropop.
Com direito a vocais melismáticos puxando a sua introdução de forma a dar, ao ouvinte, noções tanto de sensualidade quanto de maciez, é interessante perceber a forma como a canção explora a sua própria sonoridade sintética no que tange a construção de noções rítmicas. De natureza sintética e de leve azedume, a sonoridade acompanha a cantora em uma atmosfera que se caracteriza pela provocação, mas uma provocação comportada. Ainda assim, é necessário destacar a natureza confiante que She’s The Light esboça.
Se a sensualidade é algo de que Amara tanto venera, aqui é onde essa qualidade se apresenta da maneira mais viva. Associada com uma boa dose de provocação, o que, nesse contexto, sim, existem brisas libidinosas, esse detalhe está presente desde a interpretação lírica até a maneira com que Amara propõe a ilustração do enredo rítmico, o qual se dá apenas pelo toque do estalar de dedos. Ainda assim, é importante mencionar que, tal como aconteceu em She’s The Light, Try Me traz consigo uma dose semelhante de autoconfiança e empoderamento que marca demasiadamente a sua energia.
O piano, surpreendentemente, é quem puxa os primeiros sinais melódicos. Fornecendo um alívio aos ouvidos no que tange uma textura mais acústica, o instrumento é percebido por entre leves pulsos de toques graves que, em união ao estalar de dedos, auxilia, também, na percepção da cadência rítmica que guia a composição em andamento. Contagiante e até, de certa forma, solar, a canção continua explorando o caráter provocativo, mas, nesse caso, sem o apelo da sensualidade. Por entre auxílios de sobreposições vocais como forma de fortalecer o conteúdo lírico principal, Amara acaba fazendo de Love Loyal uma faixa cujo refrão é embebido em um beat de natureza agradavelmente fluida e amaciada no que se refere, precisa e consequentemente, à percepção de movimento.
Guiada pelo sonar daquilo que parece ser um trombone de toques ácidos, a canção, consequentemente, traz consigo um detalhe de excentricidade e autenticidade em relação aos demais títulos apresentados. Contando com esse som como elemento a fornecer tanto melodia quanto harmonia, Amara usa a sua voz na mesma cadência do som estabelecido pelo instrumento de sopro. Claro que o beat também se faz presente, ainda que de maneira bastante minimalista, mas, ainda assim, é o suficiente para providenciar o compasso e o nascimento de noções de fluidez estrutural. Chiclete e com energia capaz de ser vivaz, Ride For Me é agraciada por um refrão atraente e lexicalmente sedutor que, certamente, tem todo o potencial de ressoar no inconsciente do ouvinte por longos períodos.
SHIFT não é apenas um álbum de caráter eletrônico. Ele é o que a música moderna pede. No comando de Amara-Fe, ele oferece um cardápio não apenas regido pelo som, mas, principalmente, pela atitude. Em um mundo em processo de mudança social, o produto segue a tendência da música pop ao trazer conteúdos que se usam da estrutura do contágio e do educadamente apelativo para fornecer mensagens marcantes de empoderamento e autoconfiança.
Pode até parecer apelativo no sentido negativo da palavra, mas, em verdade, a questão do apelo está atrelada à intenção de chamar a atenção. De provocar. Para os conservadores, ele pode até causar certo desconforto, mas, para os liberais, é um prato cheio.
Preenchido por sonoridades sintéticas capazes de excitar e eletrizar, SHIFT traz as primeiras cinco canções como boas provas dessas constatações. Independente disso, porém, o material, em sua máxima essência, segue a natureza de Amara ao traduzir, em música, as experiências da vida real.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/7IEqaz3RAm0Hfb4Qui2fXZ
Amazon Music: https://music.amazon.com/albums/B0FLW63M3Z/?trackAsin=B0FLW4B1N8&do=play&ref=dm_sh_dLMN6oAprkjaO0kmlydTXh4rz&ts=1754783915
YouTube: https://youtube.com/channel/UCCIy5S_m51yZ_Gr_vR3oy6Q?si=Md9fp_xtdc9SROKR
Instagram: https://www.instagram.com/amara_fe_?igsh=MWg3Y2N0N3g0ZTh4Mw%3D%3D&utm_source=qr

