Ela já nasce com duas qualidades muito bem definidas. A delicadeza e o aroma se unem de uma forma tão sincrônica que se forma um alicerce sensorial melancólico envolto em uma postura introspectiva de nuances profundamente reflexivas. Graças ao dulçor levemente estridente promovido pela gaita, especialmente, a canção toma um rumo lacrimal e lamentador que contagia, com notável facilidade, o ouvinte.
Enquanto isso, o violão vai dando um respaldo de consciência com sua calmaria e a bateria, por sua vez, fornece uma desenvoltura tão frágil que dá à canção uma identidade extremamente vulnerável. Depois que a guitarra se mostra em cena a partir de uma súbita contorção em meio ao seu toque aveludado, a composição permite que o enredo lírico seja devidamente construído.
É exatamente nesse instante em que o espectador tem contato com um timbre masculino de caráter agradavelmente rouco. Entre ligeiras adoções do autotune, Ted Stanley permite que seu timbre intermediário preencha a atmosfera com uma espécie de perfume envolvente que convida o ouvinte a uma reflexão gradativa. Eis então que, perante uma roupagem sônica interiorana e bucólica, SHORELINE imagina a vida em um mundo envolto em mudanças climáticas de maneira a misturar alegria, esperança, desespero e tragédia com um toque de realismo.
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Spotify: https://open.spotify.com/intl-pt/artist/4CK7CXd2FpzqIBAleCzGWl

