Ainda que a guitarra solo seja introduzida adornada por uma boa dose de distorção, o que acontece é que, em cada punch de sonoridade uníssona, o ouvinte é levado a experienciar um momento de sutileza e introspecção. Combinando, de maneira equilibrada, sensos de melancolia e nostalgia, a estrutura sonora permite que o espectador seja tomado pelo incentivo do puro torpor.
Com um frescor aromático de roupagem estético-estrutural típica da transição dos anos 70 aos 80, a composição deixa escapar ligeiros traços de crueza que tornam a sua atmosfera ainda mais orgânica e sensível. Suspirante e calcada em fortes doses de lamento, Sonhar encontra os brasileiros do Combinados dialogando, de maneira transparente, sobre vivências associadas à ansiedade.
