Ela nasce de maneira delicada e introspectiva. Mansa, para ser mais específico. Diante de sua estrutura inicialmente minimalista, a qual se apresenta calcada apenas na performance do teclado em meio à sua reprodução sonora do fender rhodes, a faixa explora texturas de veludo bastante sedutoras e reconfortantes. Alcançando patamares de uma introspecção que beira a melancolia, a música, invariavelmente, destaca ecos de uma solidão pungente.
Surpreendentemente, a partir do instante em que o primeiro verso se anuncia, a canção acaba experienciando uma completamente nova paisagem sensorial. Por meio de pulsos sequenciais do bumbo em união ao enredo lírico, que é vivenciado pelo timbre agudo e adocicado de Olivia Millin, a faixa permite que o ouvinte acabe sendo fisgado pelos primeiros ímpetos de uma arquitetura sônica contagiante.
O interessante é perceber que, enquanto Olivia coloca o espectador em contato direto com escopo lírico em desenvolvimento, o sintetizador vai construindo uma sonoridade ululante que adquire silhuetas inquestionavelmente fantasmagóricas. A partir daí, a composição se inclina para com uma cenografia densa e assombrosa que muito bebe da energia emanada pela temporada de halloween. Tudo isso, claro, com a veia dance pop que tanto marca a estrutura sonora de Soul For The Talking, uma música que fisga a audiência principalmente em virtude de sua aura assombrosa.
Mais informações:
YouTube: https://www.youtube.com/@oliviamillinofficial5824
Spotify: https://open.spotify.com/artist/3sYwZYp6HXumQzQ24i6etC?si=bcdbd5076b4846dd
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