A canção não tarda um instante sequer para oferecer ao ouvinte, de forma clara e, portanto, nítida, um dulçor introspectivo que se associa aos sensos de nostalgia e melancolia. Explorando, curiosamente, um senso de sofrimento suavizado por contornos entorpecentes difundidos pela sonoridade ainda em estado minimalista, a faixa se vale de um enredo lírico já capaz de sugerir um sentimentalismo visceral envolto em certa dose de incredulidade.
A partir do timbre agudo e equilibradamente açucarado de Hanna Dorman, que, em dado momento, é ouvido em ecos propositais como forma de criar uma atmosfera etérea, a canção consegue fortalecer seu caráter nostálgico de forma a fazer com que lágrimas brotem dos olhos e umedeçam o seio da face do ouvinte. O interessante é perceber que isso se mostra possível apenas a partir da interação direta entre voz e violão.
Liricamente pautada na utilização frequente de falsetes como uma forma mais imediata de dar ênfase à dor em uma tentativa de expurgá-la do próprio interior, a faixa ganha precisão com a entrada da bateria e seus pulsos rítmicos firmes que sugerem uma noção de movimento extra. Crua e combinando algo feroz, honesto e difícil de ignorar, Suckerpunched dialoga sobre a mais cruel pegadinha do luto.
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