Ela se vende por meio de uma paisagem introdutória macia, fresca e envolvente. Através do sintetizador, a canção consegue colocar o ouvinte diretamente em contato com uma atmosfera que, ao mesmo tempo, consegue ofertar dulçor, veludo e torpor. Tudo de maneira sintética, é verdade, mas suficientemente sensorial. Assim que o enredo lírico se evidencia, no entanto, Ari’s Prayer não apenas fica marcada por um toque azedo em virtude do timbre de Jae Anthonie, mas se destaca por meio de um beat firme em seus pulsos que enaltecem a paisagem sônica introspectiva cujo monólogo dá a ideia de prece e do contato com a figura de um ser divino.
É com uma vinheta puramente narrativa que a presente composição tem o seu nascimento decretado. Sobreposta por entre linhas vocais femininas que soam curiosamente fantasmagóricas, a verdadeira linha lírica rapidamente toma corpo e toma todo o ambiente para si. Diante de uma cadência rappeada acompanhada de pulsos rítmicos tão enfáticos quanto aqueles presentes na canção anterior, o vocalista faz de The Dawg In Me uma faixa de performance crua emaranhada por uma energia melancólica, mas, felizmente, não pungente.
O instrumento que puxa o amanhecer da presente faixa sugere um charme exótico e inédito. Doce, aconchegante, aveludado e sugerindo raspas envolventes de uma sensualidade provocante e sedutora, o fender rhodes despeja doses generosas de romantismo sobre o alicerce sensorial de IllRegular. Aromática e hipnotizante, a faixa é o primeiro produto do álbum, até então, em que o beat se desenvolve de maneira a ser responsável por engrandecer a sensualidade paisagística e, inclusive, a oferecer boas noções de fluidez. Além disso, a presente composição é um material em que o rapper expõe, mesmo com cautela, a sua fragilidade e sua vulnerabilidade, destacando, assim, a sua humanidade.
Junto de um beat de natureza sincopada, a presente composição se destaca por ter seu nascimento efetuado com o auxílio de uma voz de nuances digitalizadas em virtude de seu tom agudo e bastante açucarado. Surpreendentemente, conforme a canção se desenvolve, o ouvinte percebe se tratar da voz de Alyssa Jane, cantora convidada de Anthonie para moldar o escopo lírico da presente faixa. Com sua leve estridência e performance sensualizante, a vocalista não se intimida e expõe sua escola R&B diante de suaves melismas que encantam a paisagem sônica de Connections, uma faixa provocante, macia e de escopo rítmico linear.
Summer 15 não é apenas um álbum rap. Ele é um produto que conta uma história. Que apresenta ao mundo um cantor que, finalmente, se vê pronto e, acima de tudo, preparado para dissecar e apresentar à sua audiência coisas nunca antes expostas. Afinal, às vezes é difícil para a própria pessoa lidar com aquilo que está dentro de sua mente e rege sua essência. Mas, aqui, isso não existe.
Como símbolo de coragem, portanto, o álbum é um meio encontrado por Jae Anthony para ilustrar, pela primeira vez, seus pensamentos e ideias mais profundos. Não é à toa que ele seja recebido com notas de drama pelo ouvinte. Mas, em verdade, o álbum bebe de um alicerce cru que traz sensualidade, melancolia e nostalgia, tudo na mesma medida de maneira a fazer com que tais ingredientes, apesar de serem perceptíveis no disco como um todo, ganham maior destaque diante dos quatro primeiros títulos da track list.
Pulsante, envolvente e ainda capaz de ser romântico em alguns casos, Summer 15, disco com previsão de lançamento para 03 de outubro, soa simplesmente como um livro aberto. Um livro com páginas escritas e outras em branco, o que possibilita a Anthony refletir e reorganizar o plano de voo da sua vida para experienciar o viver de uma melhor maneira.
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