Sua estrutura intriga por ser calcada em uma introdução que, desde seu início imediato, propõe o contato com uma espécie de dulçor estridente. Uma delicadeza falsamente frágil desenhada por um violino que, entre seus sobrevoos, esconde um caráter dramático de textura rascante. Ainda assim, o fato de que a obra explora uma atmosfera introspectiva pegajosa é algo extremamente inevitável de se pontuar.
Conforme a obra se desenvolve, existe a percepção de uma densidade crescendo de maneira gradativa e, portanto, suave, ainda que densamente perceptível. Quando o dulçor aveludado do oboé passa a garantir para si boas doses de protagonismo enquanto molda a camada harmônica, a faixa não apenas adquire uma conotação sombria, mas, especialmente, faz nascer uma essência épica que passa a preencher sua essência.
A partir desse instante, a faixa acaba adquirindo para si uma conotação folclórica bastante marcante, fazendo com que sua estrutura harmônico-melódica soe como uma espécie de enredo de ação sombria e cheia de tensão, ainda que caminha por meio de passos sorrateiros. Crescendo em elementos, contando, então, com a contribuição de instrumentos como o hammond e o violão, a faixa consegue, ainda, flertar com atmosferas trovadorescas até que a guitarra e a bateria, junto com o vocal, entram em cena, transformando Summer’s Gate em uma obra de base rítmica bluesada.
Com a faixa, é incontestável que o Arn-Identified Flying Objects and Alien Friends tenha alcançado um patamar épico. Afinal, com sua duração que ultrapassa a marca dos 12 minutos, Summer’s Gate é preenchida por diversos e, portanto, diferentes atos instrumentais que a fazem assumir a forma de uma espécie de ópera modernista.
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