O trompete não só brilha. Ele desfila uma opulência, um domínio e uma saliência quase indescritíveis e incomensuráveis diante dos primeiros instantes da introdução. Entre gritos que transpiram boas e marcantes doses de estridência, o instrumento confere notas de uma sensualidade atraente, mas completamente ausente da determinação da libido. Afinal, aqui a sensualidade entra como maciez e como estímulo dançante.
Rapidamente, a paisagem sônica é dominada por sons ovacionantes formados pelos gritos conjuntos de pessoas em clima de êxtase e quase adoração. Acompanhada e contemplada pelo toque batucante e opaco do djembe, a canção passa imediatamente a ser agraciada por um dinamismo percussivo hipnotizante de tão atraente e estimulante. Aumentando o seu próprio grau de incentivos dançantes a partir de sons sintéticos ásperos, a faixa ainda se vê agraciada por versos líricos construídos em meio a gritos de ordem nativos.
Mantendo a mesma estrutura percussiva, mas pincelando em diferentes momentos a presença indispensável e marcante do trompete para criar um grau suficiente de vivacidade à sua atmosfera, Sunrise In Your Eyes ainda tem momentos de solos rítmicos e traços pulsantes que amplificam a sua própria energia. É com esse sistema que a obra apresenta uma base no caráter tribal da cultura aborígene australiana.
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