Um som adocicado, melodioso, terno, aconchegante e reconfortante parece perambular pelo ambiente a partir do estímulo dado em uma caixa de música. Com um toque não apenas pré-púbere, mas necessariamente infantil, a tal ponto que desfila o perfeito molde de uma canção de ninar, a faixa, quanto mais avança em meio à sua própria desenvoltura, mesmo que ainda na introdução, exibe algumas características interessantes.
A primeira delas é um canto vocálico, ululante e solfejante que, entre melismas frágeis e com um dulçor feminino bastante característico, denuncia a presença de chiados que induzem o ouvinte a identificar traços nítidos de uma estática rígida em sua camada. Algo semelhante é igualmente observado na esfera melódica, que, desenhada por meio de dedilhares mansos do violão, transpira um tratamento de aparência um tanto excessiva.
Vivendo momentos de puro intimismo e uma delicadeza que transpira um aroma açucarado, mas aconchegante e cheio de compaixão, a canção se beneficia da própria essência minimalista para explorar uma tomada lírica de paisagem curiosamente motivacional. Dessa forma, Take It Away traz o Fishburn dialogando diretamente com aqueles que, um dia, já experienciaram a depressão, a ansiedade, o pesar, a solidão, a perda de esperança, a necessidade da cura de Deus e a dor emocional.
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