Não é só pelo fato de a canção nascer a partir do violão que ela pode ser considerada como um produto de natureza postural intimista. Esse fato também depende do próprio desenvolvimento do instrumento para que a naturalidade do íntimo se efetue e, felizmente, é exatamente isso o que acontece aqui.
Com delicadeza e uma melodia de caráter acústico construída a partir de um movimento dedilhante, o instrumento faz com que o ouvinte entre em contato com estímulos reflexivos em meio a um frescor quase suspirante. É nesse momento que a composição ganha a companhia de uma voz masculina igualmente frágil. Na posse de Mark Anthony Bartolo, ela sugere um tom pensante que sintoniza de maneira cirúrgica com o que a melodia minimalista sugere.
De contornos sensoriais curiosamente melancólicos, a faixa ganha compasso e ritmo no instante em que entra no refrão e recebe a presença da bateria a partir de frases repicadas que sugerem um agradável senso de dinamismo. Podendo ser chamada de dramática em razão da tonalidade atingida por Bartolo durante o seu ápice narrativo, Take It se baseia em uma profunda experiência psicológica e emocional na vida do cantor, detalhe que torna o enredo ainda mais tocante pelo seu caráter verídico.
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