O som agudo retirado das cordas do violão faz com que o ouvinte se ambientem em um cenário não necessariamente romântico em sua forma pura, mas, sim, belo e impactante. A delicadeza com que conduz a melodia faz do instrumento aquele elemento que ainda consegue conduzir uma maciez estética capaz de beirar uma sensualidade aveludada, sem o escracho da libido.
Acompanhada do som opaco dos batuques suaves oriundos do bongô, instrumento que se apodera do escopo rítmico com notável sutileza, a melodia acaba adquirindo uma movimentação valsante graças à base sonora. Colocando no cenário uma camada sonora de violinos, a canção adquire uma postura fresca e cuidadosamente swingada que convida para uma dança corpo a corpo sob um céu vespertino.
No instante em que o enredo lírico começa a ser entoado pela voz aguda, adocicada e de nuances nasais de Kat Madleine é que a canção atinge o ápice de sua sedução. Com gentileza e um tom enamorado, a cantora se utiliza do clima mediterrâneo e de uma estrutura híbrida entre folk e contornos de downtempo para, perante o andamento lento do ritmo, fazer de Taormina uma carta de amor à Itália. Inclusive, diante do intimismo que marca a paisagem da faixa, a cantora promove a sensação de profunda paz e a valorização daquilo que é simples.
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