Teenage Dark Love | Ezekiel Gauthier lança EP que oferece uma experiência musical imersiva

É interessante de se observar como a sonoridade de caráter eletrônico, já em seus primeiros momentos de desenvolvimento, consegue envolver o espectador em uma energia de caráter sombrio e penetrante. Curiosamente, assim que o enredo rítmico se apresenta, o que se faz perante uma aparência que soa aparentemente acústica, a composição é agraciada por ímpetos de lucidez que tentam vencer os estímulos sensoriais amofinantes até então explorados. De modulações melódicas que destacam uma breve tendência ao azedo, a faixa-título prende a atenção do ouvinte, em especial, por meio da linha lírica vivida por uma voz masculina cujo timbre rememora tanto aquele de Damon Albarn quanto o de Brandon Flowers. Mesmo que seja embasada em uma arquitetura estético-estrutural de forma harmonicamente linear, a composição se destaca por misturar o torpor com o onírico, o transcendental e, principalmente, o orgânico com o digital em um padrão típico de dark wave.

A sonoridade entra em cena perante uma formatação gradativa que, rapidamente, evidencia a sua cadência mid-tempo. Capaz de causar um proposital senso de tontura no espectador, ela ainda chama a atenção por trazer consigo pitadas de um caos premonitório que preenche o ambiente com certa generosidade. Explorando um conceito estético bruto e demasiadamente mais sombrio e obscuro que aquele obtido na composição anterior, aqui o ouvinte se perde frente à densidade robusta que o baixo exerce sobre seu groove, o qual preenche a base melódica e torna a sonoridade inquestionavelmente consistente. Com influências rítmicas claras do trip hop em razão de sua estrutura mais humana, mais arrastada e, consequentemente, mais espaçada, Bones And All adquire uma conotação sensorial profundamente hipnótica que rouba a consciência do espectador com admirável facilidade. Um tanto gutural e destacando, inclusive, um viés indietrônico em sua estrutura, a faixa soa como a própria voz do inconsciente em momentos de pura alucinação.

Bem diferente daquilo que foi prontamente ofertado durante a composição anterior no que se refere à textura, a presente faixa explora uma superfície curiosamente aveludada que envolve o espectador em uma breve imersão associada ao torpor. Rapidamente, porém, o grave, o bruto e o áspero se juntam na superfície sônica ofertada pelo baixo durante a sua desenvoltura sonora na base melódica. Trazendo consigo um quê soturno penetrante, ele oferece consistência e um toque de hipnotismo em razão de sua postura um tanto linear e sorrateira. Garantindo um alicerce dark wave demasiadamente superior àquele fornecido na faixa-título, Bliss And Kiss também destaca, em meio à sua identidade sônica, traços robustos do indietrônico, de forma a combinar um vislumbre sensual com uma profundidade sombria vinda de sua camada propriamente eletrônica. 

Pode até ser que o EP seja curto em duração, uma vez que possui uma track list de somente três canções. No entanto, o que Teenage Dark Love oferece é uma trajetória emocional linear marcada pelo contágio e pelo aspecto sombrio. Quase como se flertasse com a roupagem gótica, o material apresenta uma fusão entre dark wave e indietrônico de forma a se caracterizar como uma vertigem dos amores noturnos. Mais do que isso. O produto se consagra por transformar esse aspecto eletrônico sombrio em um santuário para os corações que buscam pelo absoluto.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/0TzFoWgKN1A0XLCR9s4ZdQ

Instagram: https://www.instagram.com/ezekielgauthier/