Seu despertar é marcado por uma delicadeza intimista envolvente e aromática. Respaldada, desde o início pelo timbre sereno e fresco de AC Scott, a composição, involuntariamente, coloca o ouvinte em contato com uma espécie de aroma aveludado de nuances confortavelmente entorpecentes.
Instrumentalmente minimalista, mas fazendo desse um fator que destaca a sua capacidade de envolvência e atração, a canção se utiliza da versatilidade incontestável do piano para criar um universo sensorial emotivo, generoso e gentil. Inclusive, é a partir de tal instrumento que a canção alcança patamares de um intimismo aromático e de extrema delicadeza, a ponto de se transformar em algo de identidade de beleza charmosa.
Não que ela seja uma canção que se embeba necessariamente de um caráter sensorial etéreo, mas é incontestável que o excesso de leveza ao qual a composição é inserida faz com que ela transpire, sim, inclinações para com o brisante e, também, o espiritual. Com a sua versão de The Ballad Of Lucy Jordan, AC Scott vai muito além do folk original da obra feito pelo próprio Dr Hook & The Medicine Show e, consequentemente, do folk também adotado pela interpretação de Marianne Faithfull. Aqui, portanto, AC entrega sentimentalismo e um caráter transcendental que amplifica o sentimentalismo da obra.
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