Eis aqui uma canção que se inicia com uma veia percussiva de aparência dura e levemente crua, mas que consegue ser contagiante a ponto de soar até mesmo divertida. Com um encorpamento maciço ocasionado pelo baixo marcante e pela contribuição ferrenha do trombone, Play The Game alcança uma sensorialidade leve, sensual, fresca e, curiosamente, lúdica graças ao emprego do xilofone.
O som oco e cativante daquilo que parece ser o cocquinho acompanha uma nuance adocicadamente sintética de forma a promover, no espectador, ímpetos de torpor. Soando curiosamente como uma composição de silhuetas épicas, ainda que pautada em certo grau de minimalismo estético-estrutural, Loser traz consigo uma camada lírica produzida por uma voz masculina serena que, na posse de Nico Guzzi, tem momentos que soa sussurrante a ponto de enaltecer o senso de morfina.
Ainda que traga consigo uma sonoridade sintética de identidade levemente azeda, a canção é marcada por uma base sonora capaz de ser, ao mesmo tempo, esotérica e pulsante. Introspectiva e intrigante em meio à sua estrutura de caráter, no mínimo, original, I’m Not Yours bebe de uma base eletrônica dançante a partir de seus flertes com o techno, enquanto flui para um instante de sensorialidade puramente entorpecente.
Com nove faixas, Nico Guzzi mostrou, em meio a The Game Of Life, a versatilidade da música eletrônica e desmistificou a falta de receptividade do rap para com outros gêneros musicais. Encontrando união entre o dançante, o sincopado, mas também com o erudito, o álbum é um produto que, curiosamente, traz consigo, diante de seus lirismos, mensagens que levam o ouvinte a refletir sobre a busca por uma vida que valha a pena ser vivida em meio à densa era digital.
Estruturalmente, em específico, o álbum se usa dessas temáticas para explorar, tal como já foi pontuado, a fusão entre o rap e o eletrônico, mas, também, com fruições clássicas no que tange a música erudita. E é justamente isso o que torna o álbum ainda mais versátil e plural.
Além das três primeiras faixas, títulos como Mama, The One e Her Temptations destaca a comunicação entre as musicalidades propostas ao mesmo tempo em que destaca a presença também do dubstep em terrenos que soam, inclusive, melancólicos. The Game Of Life: um disco que merece, definitivamente, atenção.
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