Desde seu início imediato, é interessante perceber como a canção brinca com as sonoridades instrumentais de forma a causar no ouvinte uma mistura de sensações nem sempre conexas entre si. Com um toque ligeiramente místico, a canção consegue combinar um veludo sintético levemente adocicado com nuances que sugerem uma leve psicodelia esotérica.
Ainda que a obra pareça um tanto desconexa com a realidade, sendo vivida apenas no âmbito do mundo do inconsciente, ela, assim que é agraciada com a presença da bateria e da linha lírica, acaba retomando, gradativamente, suas faculdades lúcidas. Mesmo que se mantendo inebriada por entre brisas melancólicas, a composição se guia nos pulsos percussivos singelos e no timbre suavemente rasgado de Harry Kappen para dominar seus próprios pensamentos.
O interessante, nesse ínterim, é que cada suspiro executado pelo violão soa como uma verdadeira onda que mistura o sombrio com uma tristeza incandescente e pegajosa. Soando densa, introspectiva e um tanto nebulosa, a obra mergulha em um refrão de harmonia levemente enaltecida, mas que coopera no emprego da dramatização de seu conteúdo lírico. Afinal, em última instância, The Longing se configura como uma obra que aborda o profundo conflito entre mente e coração. Entre a emoção genuinamente sentida e uma análise divertida.
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