Não é só a questão da envolvência em si. A canção coloca o ouvinte, desde o seu despertar imediato, diante de um ecossistema macio, introspectivo e com generosos estímulos entorpecentes em razão da união do contexto melódico com o harmônico. Aveludado, o cenário, além de ter boa participação de instrumentos de sopro que soam como trompetes, traz consigo uma base harmônica encorpada, mas ao mesmo tempo seca e pulsante em razão do desenho do groove do baixo. Sob tais holofotes sensitivos, TT’s House além de ter o rap como essência, traz o soul como seu principal ingrediente estético-estrutural.
Aqui o beat ganha mais proeminência. Com batidas mais precisas e um chimbal, cuja marcação feita a partir da sua textura seca oferece nuances de interessantes lapsos de lucidez, a faixa ainda se beneficia da pressão e da densidade extras sugeridas perante a adoção do subgrave no escopo rítmico. Fluida, de sabor doce e tão letárgica quanto a obra anterior, Last Summer dá mais destaque ao timbre azedo de Jimmy B Fearless, o que casa com uma tomada mais focada em textura como acontece nessa presente faixa.
Aqui, a surpresa chega de mansinho. Expondo uma sensualidade aveludada e marcada por uma sugestão de conforto irresistível, a faixa ainda explora um novo campo sensorial a partir do caráter onírico que a sua sonoridade acaba construindo. Delicada, serena e aconchegante, mas sem perder a direção da própria letargia que se pronuncia como importante ingrediente emocional, What Matters Most traz até mesmo Fearless com um timbre mais ameno e amaciado, sugerindo um veludo estrutural que coopera com a atratividade da própria obra.
Até aqui, a presente canção sugere a atmosfera mais consciente e reflexiva em relação a tudo o que já foi ouvido. Não que ela seja sofrida ou visceral, mas a presente música vem carregada de uma melancolia madura associada a brisas contemplativas que a tornam pungente sem ser pegajosa ou apelativa. Mais dinâmica, Stand On 10 bebe inclusive de chimbais secos e trepidantes que incitam a presença do trap como parte de sua estrutura rítmica. Com surpreendente serenidade, a faixa faz com que o ouvinte se sinta suspenso em meio aos seus próprios pensamentos embalados pela singela letargia estética.
Enquanto a agudez do trepidar da corda da guitarra reverbera suavemente pelo ambiente introdutório, uma voz digitalmente aguda desfila os primeiros enredos líricos de forma a já comunicar a existência do torpor como camada sensorial. Entre o uso do autotune e seu tom em forma cristalina, o rapper transforma Bad Man em uma canção de cunho reflexivo, mas sem aquela mesma tomada contemplativa exposta na canção anterior. Aqui, existe um sentimentalismo profundo e sincero exposto pelo próprio Fearless, o que suscita uma boa profundidade emocional com notáveis caráteres orgânicos.
Com um total de 23 títulos, o que The Love Is Real 2: Fortuna apresenta ao ouvinte é um contexto sonoro pautado na introspecção e na reflexão. Entre melancolia e letargia, o disco explora a emoção na sua forma pura e sincera, exposta com naturalidade por Jimmy B Fearless, o que torna o material ainda mais tocante e comovente.
De produções assinadas por nomes que vão além de nomes como Bonds, Waytoolost, Dexter Yu e Sway G, o disco pode até trazer seus cinco primeiros títulos como aqueles que atestam, com mais afinco, o que foi pontuado anteriormente, mas seria injusto não abordar outras canções que desempenham igual papel na construção sensorial de sua track list. Músicas como Cuerpo, Spill The Cup e Grays contribuem ativamente para a identidade do conteúdo.
Para começar, Cuerpo oferece uma sensualidade latina através do beat influenciado no reggaeton, atestando a versatilidade do disco. Spill The Cup já combina densidade com um ritmo amaciadamente fluido, enquanto Grays combina dramaticidade com sinceridade realista. É assim que The Love Is Real: Fortuna, com lançamento previsto para 16 de outubro, examina o quanto as pessoas estão dispostas a se sacrificar diante de situações difíceis.
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