É interessante como os sons ambientes contribuem maciçamente na criação de estímulos sensoriais a partir de texturas e temperaturas. Aqui, o som do vento oferece frescor, enquanto o vaivém das ondas traz tranquilidade e induções tanto de fluidez quanto de continuidade. Enquanto o grasnar das gaivotas é ouvido ao fundo, uma camada atmosférica começa a ser cuidadosamente construída.
Respaldada pelo dedilhar manso e tocante d piano, bem como pelo sinal da existência da guitarra por meio de ressoares agudos e unilaterais, a canção surpreende por romper esse estado intimista de torpor aconchegante com um relâmpago áspero vindo do instrumento. Ainda assim, felizmente a estética da obra retoma o seu estado de calmaria, mas agora com mais compasso e melodia.
Seguindo a pressão e a cadência sugeridas pela bateria, a faixa coloca o ouvinte em contato com uma mistura de gêneros que chega a impressionar. Do downtempo e da new age, a composição flui para um rock alternativo agraciado por uma energia indie rock vibrante e relaxante. Delicada, mas notadamente sincopada, LIGHT OF BLUE “sugar ocean girl” impressiona pelo seu caráter imersivo e pela sua sensualidade extremamente vulnerável que culmina em um ambiente aromático com traços contemplativos envolventes. Uma obra simplesmente irresistível.
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