Em meio à sua paisagem onírica, a canção, vai, surpreendente e calmamente, inserindo o ouvinte no mundo dos pesadelos. Por meio de seu sonar inicialmente tilintante, é como se ela promovesse o despertar perante o reino das sombras, dos medos. Da insegurança. Tenebrosa e beirando o assustador, existe, aqui, um quê épico e grandioso que insurge das montanhas obscuras ao longe. Se transformando em algo confortavelmente aliviante, mas hipnótico, Mountain Dreamer explora, a partir de sua essência sintética, uma cenografia sonora baseada em princípios claros da new wave. Introspectiva, a faixa chama a atenção por brincar com sensorialidades orientais através de certos sons, enquanto o enredo lírico é construído por uma voz masculina levemente grave e o escopo rítmico se apresenta por entre pulsos pontuais.
Experimentando uma melodia estridente e adocicadamente ácida que muito traz consigo identidades que vão da psicodelia ao rock puramente progressivo, é interessante perceber como, de certa forma, a presente faixa mantém a percepção sensorial onírica apresentada em Mountain Dreamer. No entanto, a presente faixa é embebida em uma narrativa demasiadamente mais épica a ponto de beirar uma espécie de canto de batalha. Ainda que o suspense seja um ingrediente primordial para a vivência do espectador, From The Town Below se constrói em meio a um escopo minimalista no que tange a instrumentação, mas não poupa nas aventuras sensitivas, as quais vão do torpor a lapsos de uma interessante sensualidade.
Entre as sonoridades tipicamente ácidas e estridentes que já se mostram uma espécie de marca registrada do Slow Walk, a faixa se permite construir em meio a uma arquitetura rítmico-melódica de degustação mais acessível. Isso se deve ao fato de sua essência enérgico-sonora ofertar uma paisagem setentista bastante inclinada para com a new wave. Sincopada, açucarada e ritmicamente convidativa, So Why Mountais? caminha livremente por momentos de extrema linearidade e outros de energias embriagantes profundas e inevitáveis.
A década de 70 continua em alta diante da cenografia de High Chance. Rememorando, inclusive, os desenhos estéticos de canções creditadas a David Bowie, a faixa combina sensualidade com movimento, torpor e propostas de uma provocação crescente. Ainda que sendo a música mais curta de toda a track list de The Mountain, a canção se torna marcante por misturar, em um único alicerce paisagístico, a new wave, o art-pop e pitadas indies em meio à sua estrutura totalizante.
Introspectiva, de leves brisas azedas e pulsos rítmicos curiosamente delicados, a canção traz o piano, em meio às suas notas cuidadosamente espaçadas, como o elemento sonoro protagonista durante a construção da introdução. Responsável por introduzir sensos de dramaticidade em um ecossistema em formação, o instrumento, mesmo que de desenvoltura tímida, é, também, o responsável por disseminar as primeiras nuances harmônicas. Diante do surgimento de sonares estridentes e sintéticos, Don’t Carry That Weight, curiosamente, deixa que a melancolia seja uma experiência sensorial viva e em movimento perante sua cenografia. Dramática, a faixa vale por momentos de sugestões a profundos estados de reflexão inerentes ao seu desenho energético.
Eis aqui um disco de natureza plural, mas sensorialmente envolto em uma paleta que vai do torpor à melancolia com grande versatilidade. De performance sempre intimista, The Mountain chama a atenção por conseguir imprimir, em seu desenho estético, estridência, harmonia e melodia de forma a fundir a psicodelia com o rock progressivo. E o ousado é que o material não se contenta apenas a esses gêneros.
Com destaque às suas cinco primeiras canções por ser nelas que o ouvinte percebe maiores profundidades experimentais, o álbum é, inteiro, um caldeirão de testes cinemáticos. Caminhando entre terrenos indies, mas também com direito a mergulhos na new wave, no art-pop, dream pop e no syhth-pop, o disco consegue ser estruturalmente envolvente enquanto se vende como um produto conceitual. Um material que, do começo ao fim, lida sobre o enfrentamento dos medos e a superação de obstáculos que surgem diante desse movimento.
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