Ainda que boa parte de sua natureza sonora seja sintética, a canção já leva o ouvinte a uma vivência sensorial envolta em frescor, mas, também, em boas noções de frieza. De brisas fortemente introspectivas, algo observado principalmente através da interpretação lírica de Will Sims, o qual entra em cena logo depois, a canção vai, gradativamente, se tornando refém de seu próprio incentivo ao torpor.
Conforme se desenvolve, a faixa, além de ser regida por sobreposições vocais que lhe concedem uma naturalidade curiosamente fantasmagórica, ela também permite que o espectador deguste o timbre levemente grave de Sims. É durante essa percepção, inclusive, que o ouvinte detecta o fato de que o timbre do vocalista é, inclusive, o elemento a proferir um contraponto de sabor e textura, afugentando a supremacia do dulçor embriagante.
O interessante é notar um momento instrumental que insere um instrumental de postura madura e baseada em uma paisagem indie rock um tanto noir em virtude de sua sensibilidade excessivamente entristecida e intimista. Ainda assim, é válida também a percepção de que os pulsos exalados pelas frases rítmicas desenvolvidas pela bateria dão ao andamento da obra uma incursão contagiantemente dançante. Sob uma paisagem crepuscular poente, The Mourning Moon é onde Sims dialoga, de maneira educada e terna, sobre temas como perda e memória.
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