Através de uma sonoridade sintética crescente construída a partir do uso do efeito fade in, a canção de abertura coloca o ouvinte diante de um contexto entorpecente, mas especialmente marcado por um intimismo de texturas que beiram o esotérico. Valsante, mas explorando sinais sensoriais de uma dramaticidade latente exposta por um toque sonoro que reproduz a delicadeza violinística, Intro se apresenta como um prelúdio intrigante e focado em texturas confortáveis exaltadas pelo timbre feminino equilibrado entre dulçor e agudez.
Apesar de se apoiar na mesma estratégia introdutória usada na composição anterior, Burn All Night rapidamente encontra a sua originalidade ao explorar a textura ácida da distorção da guitarra que ecoa na atmosfera guiada pelo compasso rítmico fluido e firme da bateria. Sincopada e dando certo destaque à superfície seca do chimbal, a esfera percussiva ainda exibe punchs levemente ocos que induzem o ouvinte à percepção de uma nascente noção de precisão. Entorpecente, delicada, aromática e indiscutivelmente transcendental perante seus marcantes lapsos de melancolia, a composição acaba destacando o seu próprio contorno intimista que embala o espectador em uma espécie de experiência de caráter quase onírico.
Com o enredo lírico nascendo juntamente ao escopo rítmico trepidante, a canção coloca o ouvinte rapidamente imerso em um ecossistema que, apesar de cuidadosamente sincopado, não consegue suavizar o efeito transcendentalmente atmosférico que a sua base melódica oferece. Com uma espécie de sensualidade soturna, All I Know combina estímulos letárgicos com uma enterpretação lírica que beira o contemplativo.
Ecoante como se a voz presente fosse pertencente a uma criatura onipresente, a composição consegue fazer com que o ouvinte se sinta em meio a um cenário imagético moldado em prol da solitude. Intimista, minimalista e penetrante, Daisy permite a degustação mais plena do timbre adocicado da vocalista que, aqui, divide um marcante espaço com um sorrateiro e grave riff de guitarra.
Introspectivo, entorpecente e inquestionavelmente esotérico, The Pull Away coloca o ouvinte perante diferentes texturas. Entre o veludo e o sintético aromático, ele ainda transita entre a contemplação e uma espécie de melancolia envolvente que chama a atenção do ouvinte e o manipula perante as suas nuances oníricas.
Demarcado pelo protagonismo absoluto do sintetizador, instrumento responsável por criar cenários sonoros envolventes que contrastam com determinadas frases percussivas expostas pelo beat, o EP se consagra como uma união de gêneros musicais não necessariamente associados entre si. E a partir dessa fusão, existe o diálogo temático acerca da luxúria, do anseio, do desgosto e do desespero.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/2Z7rLyGcw94ZLzWUay6JM5
SoundCloud: https://soundcloud.com/cocofitzy
